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Pandemia acentua insegurança alimentar para pessoas trans

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Um quinto dos entrevistados enfrentou fome, revela pesquisa


Pub­li­ca­do em 10/05/2023 — 08:57 Por Lety­cia Bond — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Sete em cada dez pes­soas trans­gênero enfrentaram inse­gu­rança ali­men­tar durante a pan­demia de covid-19. Para um quin­to do grupo minoritário, o quadro foi severo, já que não tin­ha condições de faz­er todas as refeições do dia, nem como com­prar ali­men­tos, pas­san­do fome.

É o que com­pro­va estu­do de pesquisadores da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Norte, Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Paraná, Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Sul e Uni­ver­si­dade Fed­er­al da Paraí­ba (UFPB), pub­li­ca­do hoje (10), no per­iódi­co cien­tí­fi­co Plos One.

Como for­ma de averiguar o cenário, a equipe de cien­tis­tas anal­isou relatos de exper­iên­cias de 109 pes­soas, por meio de um ques­tionário. Os par­tic­i­pantes, que respon­der­am de modo vol­un­tário, eram de todas as regiões do país, sendo a maio­r­ia negra.

O critério apli­ca­do para se definir o esta­do de inse­gu­rança ali­men­tar foi o da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para Ali­men­tação e Agri­cul­tura (FAO), que entende como con­tex­tos em que o aces­so ao ali­men­to está sob ameaça. Isso sig­nifi­ca quan­ti­dades insu­fi­cientes de comi­da, medo de o ali­men­to acabar e a fal­ta de esta­bil­i­dade no fornec­i­men­to. Tam­bém se enquadra na clas­si­fi­cação a inad­e­quação da comi­da disponív­el, do pon­to de vista cul­tur­al e/ou nutri­cional.

Mortes

Sávio Marceli­no Gomes, autor prin­ci­pal do arti­go,  nutri­cionista e docente da UFPB, desta­ca que a comu­nidade trans é uma das mais vul­neráveis. “O Brasil, ape­sar de a gente ter alguns avanços na saúde, como o proces­so tran­sex­u­al­izador e de exi­s­tir uma políti­ca nacional de saúde para a pop­u­lação LGBTQIA+, de for­ma ger­al, é tam­bém o país que mais mata pes­soas trans em todo o mun­do”, asse­gu­ra.

O pesquisador comen­ta que, ao não poder entrar no mer­ca­do de tra­bal­ho, por con­ta da dis­crim­i­nação, chama­da, nesse caso, de trans­fo­bia, as pes­soas trans acabam em uma cir­cun­stân­cia de suscetibil­i­dade quan­to à ali­men­tação, cama­da que se soma à da frag­iliza­ção por meio da vio­lên­cia. Gomes faz, ain­da, uma críti­ca aos dados sobre a pop­u­lação trans que se tem, atual­mente, à dis­posição no Brasil.

“À medi­da que sofrem rejeições de empre­gos, sofrem vio­lên­cias den­tro do mer­ca­do de tra­bal­ho, do setor da edu­cação e tam­bém na área de assistên­cia em saúde, quan­do ten­tam aces­sar a atenção primária, essas pes­soas sofrem tam­bém exper­iên­cias de estig­ma, e tudo isso jun­to, colo­ca essas pes­soas em uma posição social de vul­ner­a­bil­i­dade aos piores males que nos­sa sociedade tem. E a fome é um deles, ape­sar de a gente não [ter] esse resul­ta­do de for­ma nacional, porque nos­sos inquéri­tos, por muito tem­po, tam­bém não mostram essa pop­u­lação. É uma pop­u­lação que está invis­i­bi­liza­da”, afir­ma Gomes, que é doutor em saúde públi­ca.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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