...
sexta-feira ,16 janeiro 2026
Home / Saúde / UFRJ: velocidade de transmissão da covid é crítica e tende a acelerar

UFRJ: velocidade de transmissão da covid é crítica e tende a acelerar

Repro­dução: © 28/10/2021_Fernando Frazão/Agência Brasil

Taxa de transmissão no estado do Rio chega a 2,54


Pub­li­ca­do em 24/01/2022 — 17:25 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

A veloci­dade de trans­mis­são do novo coro­n­avírus no esta­do do Rio de Janeiro está em pata­mar críti­co e tende a acel­er­ar ain­da mais, segun­do análise divul­ga­da hoje (24) pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ). De acor­do com o Covidímetro, estu­do elab­o­ra­do Grupo de Tra­bal­ho (GT) Mul­ti­dis­ci­pli­nar para Enfrenta­men­to da Covid-19 da UFRJ, cada 100 pes­soas infec­tadas pelo SARS-CoV­‑2, na sem­ana de 9 a 15 de janeiro, infec­taram mais 254.

Vice-coor­de­nador do GT, Guil­herme Hor­ta Travas­sos expli­ca que a taxa de trans­mis­são não chega­va a pata­mares tão altos des­de os meses de fevereiro e março de 2020, quan­do o vírus ini­ci­a­va a primeira onda de infecções.

Na cap­i­tal, a trans­mis­são é ain­da mais acel­er­a­da, com taxa de 2,61 novas infecções a cada caso con­fir­ma­do.

“Em proces­sos pandêmi­cos, val­ores aci­ma de 1 são con­sid­er­a­dos pre­ocu­pantes, e, aci­ma de 2, bas­tante pre­ocu­pantes, bem críti­cos”, expli­ca Travas­sos, que é pro­fes­sor de engen­haria de sis­temas e com­putação da Coppe/UFRJ e fez parte da elab­o­ração do mod­e­lo que cal­cu­la a taxa de trans­mis­são. “E já se percebe nos dados atu­ais um aumen­to no número de casos. Então, a expec­ta­ti­va é que, talvez, os val­ores pos­sam aumen­tar para a sem­ana seguinte. É uma situ­ação de bas­tante pre­ocu­pação”.

Colapso nos serviços

O risco de uma taxa de trans­mis­são tão acel­er­a­da, expli­ca ele, é um colap­so na prestação de serviços, o que não se restringe ao atendi­men­to hos­pi­ta­lar. “Quan­do as pes­soas tes­tam pos­i­ti­vo ou têm con­ta­to com pes­soas adoen­tadas, elas pre­cisam ficar iso­ladas, então, as empre­sas deix­am de ter seus times com­ple­tos. Com isso, vemos até empre­sas aéreas que não con­seguem colo­car aviões no ar”, exem­pli­fi­ca. “Se a gente não der um jeito de frear essa acel­er­ação, se não reduzir essa veloci­dade, a situ­ação vai ser muito com­pli­ca­da.”

Ape­sar de o mod­e­lo de cál­cu­lo da taxa de trans­mis­são indicar que é necessário lock­down quan­do o índice fica aci­ma de 2 pon­tos, Travas­sos expli­ca que essa é uma avali­ação que não pode ser fei­ta com base em ape­nas um indi­cador.

“Olhar ape­nas o R [taxa de trans­mis­são] não é sufi­ciente. A gente tem que olhar o número de casos por 100 mil habi­tantes, a ocu­pação hos­pi­ta­lar, a disponi­bil­i­dade de profis­sion­ais de saúde. Tudo isso tem que ser vis­to”, expli­ca, desta­can­do que a uni­ver­si­dade poderá recomen­dar medi­das mais restri­ti­vas caso a situ­ação se agrave.

Variante Ômicron

A expan­são acel­er­a­da dos casos de covid-19 com a dis­sem­i­nação da vari­ante Ômi­cron lev­ou a cap­i­tal flu­mi­nense a con­fir­mar mais de 144 mil infecções somente nos 24 primeiros dias de 2022. O mon­tante cor­re­sponde a mais da metade de todos os casos con­fir­ma­dos em 2021, quan­do a cidade noti­fi­cou 286 mil infecções.

Já o esta­do do Rio de Janeiro reg­istrou 257 mil casos de covid-19 em 2022, o que cor­re­sponde a mais de um quar­to dos 918 mil con­fir­ma­dos ao lon­go de todo o ano de 2021, segun­do o painel de dados da Sec­re­taria de Esta­do de Saúde.

Máscara e vacinação

Travas­sos recomen­da que a pop­u­lação use más­cara, man­ten­ha a higiene das mãos, evite lugares com aglom­er­ação e com­plete o esque­ma vaci­nal, fator que ele con­sid­era pri­mor­dial para que o cenário atu­al não avance e atin­ja pata­mares de inter­nação reg­istra­dos em out­ros momen­tos de trans­mis­são acel­er­a­da. “A deman­da hos­pi­ta­lar ocorre, prin­ci­pal­mente, com aque­les indi­ví­du­os que não estão com a vaci­nação com­ple­ta.”

Segun­do dados divul­ga­dos na sem­ana pas­sa­da pela Sec­re­taria Munic­i­pal de Saúde, 90% dos inter­na­dos por covid-19 não com­ple­taram o esque­ma vaci­nal con­tra a doença, e cer­ca de 45% não havi­am toma­do nen­hu­ma dose dos imu­nizantes disponíveis no Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS).

O pesquisador da UFRJ ressalta que, ape­sar de a taxa de con­tá­gio ser a mais alta des­de a primeira onda da pan­demia, a pro­teção con­feri­da pela vaci­nação pro­duz­iu um cenário em que o número de casos é maior que em out­ros momen­tos, mas as mortes e inter­nações não crescem na mes­ma pro­porção.

Mortes

O painel de dados da Sec­re­taria Munic­i­pal de Saúde infor­ma que, des­de o iní­cio do ano, hou­ve 81 víti­mas da covid-19 na cap­i­tal, número menor que o con­fir­ma­do ape­nas no dia 1° de janeiro de 2021, quan­do foram noti­fi­ca­dos 91 óbitos.

Já no esta­do, foram 210 mortes con­fir­madas entre 1º e 23 de janeiro de 2022. No mes­mo perío­do do ano pas­sa­do, a pan­demia fez mais de 3,2 mil víti­mas.

Edição: Lílian Beral­do

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

Dor de cabeça, náusea e tontura estão entre os possíveis sinais Ana Cristi­na Cam­pos — …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d