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Pesquisadores alertam para riscos de crianças expostas a telas

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Repro­dução: © Isac Nobrega/ PR

Na pandemia, essa exposição aumentou


Pub­li­ca­do em 15/05/2021 — 10:42 Por Mar­i­ana Tokar­nia – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Pesquisadores da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Minas Gerais (UFMG) aler­tam para os riscos da alta exposição de cri­anças às telas de equipa­men­tos eletrôni­cos, como celu­lar, com­puta­dor, tele­vi­sor e tablet. Na pan­demia, essa exposição, que já era alta, de acor­do com eles, aumen­tou, pois muitas famílias acabam recor­ren­do a ess­es dis­pos­i­tivos, para con­seguirem tra­bal­har e entreter as cri­anças, que pas­sam mais tem­po em casa. A situ­ação, que no ano pas­sa­do, quan­do o vírus começou a cir­cu­lar no Brasil, foi vista como pas­sageira, ago­ra é alvo de pre­ocu­pação.

“A situ­ação que a gente vive hoje é de uma fal­ta de alter­na­ti­va muito grande para os pais que estão em tra­bal­ho remo­to, muitas vezes sem aju­dante em casa, e que pre­cisam de alter­na­ti­va para a recreação da cri­ança no momen­to que pre­cisam tra­bal­har ou faz­er ativi­dades domés­ti­cas. A questão é que o uso da tela se tornou muito mais que uma alter­na­ti­va, tornou-se a úni­ca via e isso nos pre­ocu­pa”, diz a coor­de­nado­ra do Pro­gra­ma Primeira Infân­cia Ple­na da UFMG, Del­ma Simão.

A pesquisado­ra expli­ca que até 1 ano de idade não é recomen­da­da nen­hu­ma exposição à tela. Depois dis­so, a indi­cação varia con­forme a faixa etária sendo que, até os 6 anos de idade, perío­do que cor­re­sponde à primeira infân­cia, as cri­anças não devem pas­sar mais do que duas horas por dia na frente de dis­pos­i­tivos eletrôni­cos. “Quan­to mais uma cri­ança fica conec­ta­da à tela, mais desconec­ta­do é o cére­bro da cri­ança, então mais difí­cil é para essa cri­ança tomar decisões ade­quadas, per­ti­nentes a uma sociedade saudáv­el”, expli­ca a pesquisado­ra.

Os pre­juí­zos de uma exposição exces­si­va às telas, para as cri­anças, de acor­do com Del­ma, são muitos. Entre eles: difi­cul­dade de apren­diza­gem, difi­cul­dade de inter­ação social, difi­cul­dade de cri­ar vín­cu­lo, difi­cul­dade de se adap­tar ao meio social e aos desafios que a sociedade impõe, prej­u­di­can­do ain­da o chama­do con­t­role inibitório que, de for­ma sim­pli­fi­ca­da, é a habil­i­dade de con­tro­lar respostas impul­si­vas e esper­ar a própria vez. No mun­do vir­tu­al, a cri­ança cli­ca e recebe o con­teú­do instan­ta­nea­mente, prej­u­di­can­do o desen­volvi­men­to dessa habil­i­dade.

Desafios

No ano pas­sa­do, quan­do a pan­demia chegou ao Brasil, segun­do o pro­fes­sor da Fac­ul­dade de Edu­cação da UFMG Rogério Cor­reia, os estu­dos colo­cavam essa como uma situ­ação pas­sageira. “Hoje pas­sa­do mais de um ano, deixou um pouco de ser pas­sageira essa real­i­dade para nós no Brasil”, diz.

Tan­to Del­ma quan­to Cor­reia exper­i­men­tam no dia a dia o desafio de afas­tar cri­anças das telas. Ela é mãe do Pedro, de 7 anos, e da Laís, de 3 anos, que tem tris­so­mia do cro­mos­so­mo 21 (sín­drome de Down). No dia a dia, con­cil­ia o cuida­do com as cri­anças, com a casa e o tra­bal­ho. Cor­reia é tio de Fer­nan­do, de 3 anos.

“Eu desen­hei no corre­dor da casa uma amare­lin­ha, para brin­car com eles à noite, para gas­tar ener­gia. Meia hora que a gente brin­ca de amare­lin­ha, eu já ensi­no comu­ni­cação, ensi­no a esper­ar a vez do out­ro, equi­líbrio. É no dia a dia que a gente tem que ser cria­ti­vo”, con­ta Del­ma.

Já Cor­reia, abriu o quin­tal para que o sobrin­ho, que não mora com ele, pudesse cor­rer. Para isso, a família pre­cisa de uma logís­ti­ca de iso­la­men­to, para que pos­sam se encon­trar de for­ma segu­ra em meio a pan­demia. “Esta­mos sem­pre acom­pan­han­do [o está­gio da pan­demia na cidade] se há aumen­to do índice de con­t­a­m­i­nação, e volta­mos a aumen­tar a segu­rança e o iso­la­men­to”, diz.

Recomendações

Segun­do os pesquisadores, será necessária uma atenção espe­cial às cri­anças não ape­nas durante, mas após a pan­demia. “A gente acred­i­ta em uma pan­demia pós pan­demia. O que vai ser das pes­soas e espe­cial­mente das nos­sas cri­anças quan­do tudo isso mel­ho­rar? Nos pre­ocu­pa muito a reper­cussão dessa pan­demia”, diz Del­ma.

Segun­do a pesquisado­ra, as esco­las e out­ros locais de social­iza­ção das cri­anças pre­cis­arão observá-las de per­to, respei­tan­do as neces­si­dades de cada uma delas. “O olhar pre­cisa ser muito sin­gu­lar para respeitar essa cri­ança que virá depois desse estresse traumáti­co da pan­demia de covid-19. É pre­ciso enten­der e ser muito sen­sív­el a essas mudanças de com­por­ta­men­to que even­tual­mente podem sur­gir na esco­la e sur­gir na família”.

De acor­do com Del­ma, aque­les que estão par­tic­i­pan­do de aulas remo­tas devem ser obser­va­dos de per­to pelas famílias, que devem con­ver­sar com as esco­las sobre como está sendo esse proces­so para eles. “A família pre­cisa estar aten­ta ao que está difi­cul­tan­do o proces­so de apren­diza­gem da cri­ança para que aqui­lo não faça com que a cri­ança per­ca o dese­jo de apren­der”.

Incentivar o brincar

Segun­do Cor­reia, a brin­cadeira, que aca­ba sendo sub­sti­tuí­da por tem­po na frente de dis­pos­i­tivos eletrôni­cos, é fun­da­men­tal para o desen­volvi­men­to das cri­anças e para ajudá-las a com­preen­der o mun­do. “Quan­do ela lida com um trau­ma, com a per­da de um ente queri­do ou mes­mo com a dis­tân­cia da mãe que sai para tra­bal­har, ela tende a lidar com o que causa essa angús­tia através da brin­cadeira. Na brin­cadeira, ela toma con­sciên­cia daque­le sen­ti­men­to”, diz.

O pesquisador diz que há for­mas de incluir os con­teú­dos dig­i­tais no brin­car e que isso pode ser bené­fi­co des­de que bem ori­en­ta­do. As cri­anças podem, por exem­p­lo, levar os per­son­agens do pro­gra­ma de TV para uma brin­cadeira mais ati­va, na qual enten­dem o papel daque­le per­son­agem e, brin­can­do, têm mais con­t­role sobre a men­sagem e o sig­nifi­ca­do que aqui­lo traz para ela.

Out­ra alter­na­ti­va é bus­car con­teú­dos dig­i­tais que pro­pon­ham tare­fas às cri­anças e tro­car, segun­do Cor­reia, o sofá pelo tapete, onde é pos­sív­el brin­car. “Um momen­to em que a cri­ança pode assi­s­tir e brin­car ao mes­mo tem­po. As cri­anças gostam de assi­s­tir a pro­gra­mas que pro­pon­ham faz­er algu­ma coisa, con­stru­ir um brin­que­do, isso pode ser legal”. Os pais e respon­sáveis podem tam­bém assi­s­tir a vídeos jun­to com as cri­anças, mostran­do inter­esse e dis­cutin­do com eles pon­tos do pro­gra­ma.

Tan­to Cor­reia quan­to Del­ma recomen­dam que as cri­anças sejam integradas nas ativi­dades do dia a dia dos adul­tos, que sejam con­vi­dadas a cuidar das plan­tas a preparar uma comi­da, a estarem por per­to. “Com isso está apren­den­do as coisas do mun­do, está apren­den­do vocab­ulário, está apren­den­do inter­ação com a família, está apren­den­do a ser útil, a colab­o­rar com a sociedade. A primeira sociedade que ela vive é den­tro de casa”, diz Del­ma.

Edição: Denise Griesinger

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