...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias / Dia Mundial sem Carro: pandemia reforça uso de transporte sustentável

Dia Mundial sem Carro: pandemia reforça uso de transporte sustentável

Repro­dução: © Wil­son Dias/Agência Brasil

Andar a pé foi a modalidade que se tornou mais popular no período


Pub­li­ca­do em 22/09/2021 — 05:50 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

O uso de trans­portes sus­ten­táveis, como bici­cle­tas, patinetes e cam­in­hadas, foi reforça­do no mun­do des­de o ano pas­sa­do, em con­se­quên­cia da pan­demia de covid-19. No Dia Mundi­al sem Car­ro, cel­e­bra­do nes­ta quar­ta-feira (22), estu­do mostra que andar a pé foi a modal­i­dade que se tornou mais pop­u­lar no perío­do, com 78 pon­tos de sat­is­fação em uma escala de zero a 100.

De acor­do com o estu­do Mobil­i­ty Futures 2021: The Next Nor­mal, da empre­sa de con­sul­to­ria Kan­tar Insights, o maior aumen­to foi obser­va­do na Europa, onde hou­ve incre­men­to de 4,8% entre 2019 e 2020. O uso de bici­cle­tas e patinetes tam­bém mostrou alta de 3% no mun­do.

O uso de veícu­los cole­tivos teve que­da. Trans­portes públi­cos, como ônibus e metrôs, tiver­am redução glob­al de 5,6% porque, ape­sar de con­tribuírem para o con­t­role de polu­entes, não são boas opções em um con­tex­to de pan­demia, já que aumen­tam o risco de con­tá­gio, infor­mou a Kan­tar. Isso foi obser­va­do espe­cial­mente em São Paulo, onde as pes­soas dis­ser­am não se sen­tir con­fortáveis usan­do trans­portes públi­cos, com medo da con­t­a­m­i­nação. Do mes­mo modo, as ini­cia­ti­vas de com­par­til­hamen­to de car­ros caíram 2,2%.

Para que a uti­liza­ção de trans­portes cole­tivos aumente, é pre­ciso que a pan­demia “este­ja, no mín­i­mo, sob con­t­role”, disse Luciana Pepe, ger­ente de Atendi­men­to Sênior da Kan­tar Insights. “As pes­soas dese­jam uma viagem que seja con­fiáv­el, ráp­i­da, segu­ra, que seja acessív­el den­tro da cidade onde elas moram. Então, qual­quer medi­da que apoie algum dess­es fatores vai aju­dar a mel­ho­rar essa prefer­ên­cia pelos meios de trans­porte, sejam públi­cos ou mais alter­na­tivos, como a bici­cle­ta e andar a pé”. É pre­ciso, con­tu­do, que os gov­er­nos e ini­cia­ti­va pri­va­da garan­tam segu­rança para os pedestres nas ruas e para os ciclis­tas, nas ciclovias, além de avanço tec­nológi­co na questão da mobil­i­dade, para gan­har maior con­fi­ança da pop­u­lação. Eles têm que cam­in­har jun­tos nes­sa mes­ma direção”, afir­mou Luciana.

Desafio

O estu­do mostra ain­da que os automóveis con­tin­u­am sendo o maior desafio em relação à mobil­i­dade. “As lon­gas dis­tân­cias e uma cul­tura que tem o veícu­lo como prin­ci­pal meio de trans­porte, ali­adas às medi­das de dis­tan­ci­a­men­to social e ao risco de con­tá­gio, fiz­er­am com que o uso de automóveis crescesse 3,8%”. Aqui, o cresci­men­to se ref­ere ao uso do car­ro como motorista ou como pas­sageiro.

O estu­do ouviu mais de 9.500 habi­tantes de 13 cidades: Berlim e Munique (Ale­man­ha), Brux­e­las (Bél­gi­ca), Chica­go e Nova York (Esta­dos Unidos), Copen­h­ague (Dina­mar­ca), Lon­dres (Inglater­ra), Madri (Espan­ha), Milão (Itália), Mum­bai (Índia), Paris (França), Pequim (Chi­na) e São Paulo (Brasil).

No caso de São Paulo, Luciana Pepe desta­cou que foi obser­va­da grande aber­tu­ra das pes­soas para usar difer­entes meios de trans­porte para ir e vir do tra­bal­ho e nos deslo­ca­men­tos por laz­er. “A gente está falan­do de táxi, moto­ci­cle­ta, com­par­til­hamen­to de car­ro. Tudo o que pode mel­ho­rar o deslo­ca­men­to diário das pes­soas aca­ba sendo bem-vin­do”. Perce­beu-se ain­da mui­ta semel­hança de São Paulo com cidades de rápi­do desen­volvi­men­to, como Méx­i­co e Mum­bai, cuja infraestru­tu­ra não acom­pan­ha o desen­volvi­men­to das pop­u­lações, acar­retan­do prob­le­mas de poluição do ar, con­ges­tion­a­men­to nas ruas e estradas, e trans­portes públi­cos no lim­ite, com atra­sos e fal­ta de capi­lar­i­dade.

Recuperação

Dados da Asso­ci­ação Brasileira do Setor de Bici­cle­tas (Aliança Bike) rev­e­lam que ape­sar da pan­demia, o ano de 2020 trouxe bons resul­ta­dos para o mer­ca­do de bici­cle­tas, com média de 50% de aumen­to nas ven­das em com­para­ção ao ano ante­ri­or. Segun­do disse à Agên­cia Brasil o dire­tor exec­u­ti­vo da Aliança Bike, Daniel Guth, a for­ma de lidar com a pan­demia acabou por favore­cer o uso da bici­cle­ta. “Como as pes­soas pre­cisavam man­ter a ativi­dade físi­ca e que­ri­am evi­tar as aglom­er­ações, a bici­cle­ta acabou se tor­nan­do um dos ele­men­tos impor­tantes para via­bi­lizar nos­sa vida. Por isso, ela gan­hou tan­to destaque no mun­do inteiro”.

No primeiro semes­tre de 2021, não foi difer­ente. O Brasil teve expan­são média de 34,17% nas ven­das das bikes em relação ao mes­mo perío­do do ano pas­sa­do. E a tendên­cia con­tin­ua para o resto do ano. “A procu­ra con­tin­ua muito alta”. Guth obser­vou, porém, que des­de o segun­do semes­tre de 2020 para cá, ain­da são muitos os prob­le­mas de fornec­i­men­to de insumos para a mon­tagem de bici­cle­tas no Brasil. O mer­ca­do ain­da não nor­mal­i­zou a entre­ga de muitos com­po­nentes para faz­er face à deman­da. “Tem mui­ta gente em lista de espera pela bici­cle­ta de mod­e­lo especí­fi­co. Em alguns casos, é pre­ciso esper­ar sem­anas e até meses”, disse o dire­tor.

A per­spec­ti­va até o final de 2021 é ter ain­da uma procu­ra ele­va­da, bem mais alta do que no momen­to pré-pan­demia, “mas talvez não tão alta como o con­sol­i­da­do do ano pas­sa­do inteiro”. O dire­tor da Aliança Bike desta­cou que no primeiro semes­tre de 2020, o setor sofreu impacto do fechamen­to das lojas nos meses de março e abril, além do con­sumo repre­sa­do das famílias e do fechamen­to das fábri­c­as na Ásia. Mes­mo assim, o mer­ca­do começou a se recu­per­ar a par­tir de maio, reg­is­tran­do pico nas ven­das em jul­ho, que mostrou cresci­men­to de 118% sobre o mes­mo mês de 2019. “Jul­ho foi o pico”, comen­tou Guth. Em jul­ho, os esto­ques acabaram e a par­tir de agos­to, o mer­ca­do começou a ter prob­le­mas de entre­ga de pro­du­tos para os clientes.

Importação e emprego

Em 2021, a situ­ação está bem mel­hor para o comér­cio vare­jista do setor. No primeiro semes­tre deste ano, foram US$ 199,5 mil­hões de recur­sos envolvi­dos no comér­cio exte­ri­or, soman­do expor­tação e impor­tação, número 122% supe­ri­or ao do mes­mo perío­do do ano pas­sa­do. É o maior vol­ume des­de o iní­cio da série históri­ca em 2010. Daniel Guth rev­el­ou que com­po­nentes prin­ci­pais de uma bici­cle­ta, como freio, câm­bio e quadro, tiver­am aumen­tos entre 150% e 200% na impor­tação. “Este é um ano de recu­per­ação do que nós perdemos no segun­do semes­tre do ano pas­sa­do. Mui­ta gente está aceleran­do a mon­tagem e a impor­tação para aten­der a quem está em fila de espera. São prati­ca­mente ven­das que já ocor­reram”.

O incre­men­to obser­va­do nas ven­das do setor se refletiu tam­bém no mer­ca­do de tra­bal­ho. Em 2020, foram cri­a­dos no comér­cio vare­jista do país 1.119 novos empre­gos for­mais. Em 2021, até jul­ho, as novas vagas com carteira assi­na­da somaram 1.259 no Brasil. Ele infor­mou que no esta­do de São Paulo, con­sideran­do um ano e meio de pan­demia, os empre­gos com carteira assi­na­da no comér­cio vare­jista de bici­cle­tas subi­ram 18%, de acor­do com o Cadas­tro Ger­al de Empre­ga­dos e Desem­pre­ga­dos (Caged).

O esta­do que reg­istrou o maior incre­men­to em ter­mos de novos empre­gos, no perío­do, foi o Paraná (32%), segui­do de Mato Grosso do Sul e do Tocan­tins (30% cada). O setor, no Brasil, con­tabi­liza mais de 14 mil empre­gos for­mais dire­tos, total­izan­do quase 9 mil lojas espe­cial­izadas.

Origem

O Dia Mundi­al sem Car­ro é cel­e­bra­do em 22 de setem­bro. A data foi cri­a­da na França em 1997, e pas­sou a ser ado­ta­da em vários país­es do con­ti­nente no ano 2000. O obje­ti­vo é estim­u­lar a reflexão a respeito do uso exces­si­vo de automóveis e faz­er as pes­soas exper­i­menta­rem meios de deslo­ca­men­to alter­na­tivos, menos polu­entes e mais sus­ten­táveis.

No Brasil, o movi­men­to chegou em 2001, envol­ven­do 11 cidades: Por­to Ale­gre, Cax­i­as do Sul e Pelotas (RS); Piraci­ca­ba (SP); Vitória (ES); Belém (PA); Cuiabá (MT), Goiâ­nia (GO); Belo Hor­i­zonte (MG); Joinville (SC) e São Luís (MA). Na cap­i­tal paulista, as ativi­dades começaram em 2003.

Ações

Muitas ações estão pro­gra­madas para comem­o­rar a data. Em Niterói, região met­ro­pol­i­tana do Rio, será real­iza­do, a par­tir das 8h, o Pas­seio Ciclís­ti­co com a Edu­cação, orga­ni­za­do pela Coor­de­nado­ria Niterói de Bici­cle­ta e pela Fun­dação Munic­i­pal de Edu­cação. O pas­seio sairá da fun­dação e per­cor­rerá algu­mas das prin­ci­pais ciclovias da cidade, dirigin­do-se até a Esco­la Munic­i­pal Julia Cortines, onde haverá inau­gu­ração de novos paraci­c­los insta­l­a­dos na insti­tu­ição.

Out­ra ped­al­a­da cole­ti­va para incen­ti­var o uso da bici­cle­ta no deslo­ca­men­to diário das pes­soas será pro­movi­da pelo Con­sula­do dos Esta­dos Unidos, em parce­ria com a Sec­re­taria de Meio Ambi­ente da Prefeitu­ra do Rio, de cujo cal­endário já faz parte des­de 2009. A ped­al­a­da cole­ti­va está alin­ha­da à agen­da mundi­al pela mobil­i­dade urbana sus­ten­táv­el. A con­cen­tração está mar­ca­da para as 7h, no Par­que Garo­ta de Ipane­ma, no Arpoador, zona sul da cidade. O pas­seio ciclís­ti­co ter­mi­nará na Praça XV, no cen­tro da cap­i­tal flu­mi­nense, pas­san­do pela Ensea­da de Botafo­go e Ater­ro do Fla­men­go. O retorno começará na Praça Manuel Ban­deira, tam­bém na região cen­tral, e ter­mi­nará nova­mente no Arpoador.

Par­tic­i­parão do tra­je­to fun­cionários brasileiros e estrangeiros de con­sula­dos de diver­sos país­es, sedi­a­dos no Rio de Janeiro, e mem­bros da comu­nidade ciclista, para sim­bolizar a inte­gração das nações em prol de uma mobil­i­dade mais saudáv­el e sus­ten­táv­el. “Usar a bici­cle­ta para se loco­mover na cidade é uma for­ma ide­al de alcançar isso. Quan­to mais ped­alam­os, mais limpa e segu­ra a cidade será, e, con­se­quente­mente, o bem-estar urbano resul­ta numa econo­mia mais próspera. Como rep­re­sen­tantes de país­es ao redor do mun­do, pre­cisamos faz­er nos­sa parte no enfrenta­men­to da crise climáti­ca, ten­do resil­iên­cia para respon­der aos grandes desafios com peque­nas ati­tudes no nos­so dia a dia”, afir­mou Paco Perez, dire­tor da Seção de Impren­sa e Cul­tura do con­sula­do amer­i­cano.

Em Curiti­ba (PR), às 18h30, acon­te­cerá a Mar­cha das 2021 Bici­cle­tas. A con­cen­tração será na Praça San­tos Andrade, em frente ao Pré­dio Históri­co da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Paraná (UFPR). O movi­men­to propõe “vamos todos ped­alar jun­tos por uma cidade mais humana, limpa e saudáv­el”. Os orga­ni­zadores do even­to, que per­tencem à Bici­cle­ta­da Curiti­ba, recomen­dam que os ciclis­tas usem más­caras e álcool em gel.

Às 20h, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, haverá uma ped­al­a­da em defe­sa das ciclovias no bair­ro da Fregue­sia e adjacên­cias. O pas­seio sairá da Praça Pro­fes­so­ra Camisão, na Fregue­sia, e é pro­movi­do pela Asso­ci­ação de Moradores e Ami­gos do bair­ro. A ped­al­a­da visa à expan­são da rede cicloviária da região, assim como à mel­hor manutenção da ciclovia já exis­tente”, dis­ser­am os orga­ni­zadores.

Edição: Graça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d