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Dois em cada três estudantes precisam de reforço escolar, diz pesquisa

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pais e professores afirmam que é preciso recuperar aprendizagem


Pub­li­ca­do em 15/02/2022 — 08:17 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Após dois anos de pan­demia, pais e respon­sáveis dizem que estu­dantes pre­cisam de reforço esco­lar para recu­per­ar a apren­diza­gem. Segun­do as famílias, pelo menos dois em cada três estu­dantes pre­cis­arão de apoio em algum con­teú­do. Para 28% dos respon­sáveis, a pri­or­i­dade das esco­las nos próximos dois anos deve ser jus­ta­mente a promoção de pro­gra­mas de reforço e recuperação. 

Os dados são da pesquisa “Educação não pres­en­cial na per­spec­ti­va dos estu­dantes e suas famílias”, real­iza­da pelo Datafol­ha a pedi­do do Itaú Social, da Fundação Lemann e do Ban­co Inter­amer­i­cano de Desen­volvi­men­to (BID). As per­gun­tas foram feitas por tele­fone a 1.306 pais e responsáveis de 1.850 estu­dantes, em todo o país, em dezem­bro de 2021.

Para eles, os estu­dantes devem rece­ber apoio em matemática (71%), língua por­tugue­sa (70%), ciências (62%) e história (60%). Con­sid­er­adas ape­nas crianças em fase de alfabetização, esse per­centu­al sobe: 76% precisarão de mais atenção das esco­las na retoma­da das aulas pres­en­ci­ais, segun­do as famílias.

“Foi difí­cil o fechamen­to das esco­las para todas as eta­pas de ensi­no, mas espe­cial­mente difí­cil para as cri­anças menores, espe­cial­mente na fase da alfa­bet­i­za­ção”, diz a ger­ente de Pesquisa e Desen­volvi­men­to do Itaú Social, Patri­cia Mota Guedes. “Isso colo­cou um peso nas famílias, de uma exper­tise que não é delas. Alfa­bet­i­zar é uma das tare­fas mais difí­ceis”.

De acor­do com lev­an­ta­men­to divul­ga­do recen­te­mente pela orga­ni­za­ção Todos pela Educação, com base em dados do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE), mais de 40% das crianças com 6 ou 7 anos de idade não sabi­am ler ou escr­ev­er em 2021, o que rep­re­sen­ta mais de 2,4 milhões de crianças no país.

Ensino presencial

A pesquisa mostra ain­da que 88% dos estu­dantes da rede pública de ensi­no tiver­am as esco­las reaber­tas em 2021. Segun­do os pais e respon­sáveis, 83% dos estu­dantes que retornaram às ativi­dades pres­en­ci­ais estão evoluin­do no apren­diza­do.

De acor­do com as famílias, os alunos que voltaram às ativi­dades pres­en­ci­ais estão mais ani­ma­dos (86%), mais otimis­tas com o futuro (80%), mais inde­pen­dentes para realizar as tare­fas (84%) e mais inter­es­sa­dos nos estu­dos (77%) do que aque­les que con­tin­uaram no ensi­no remo­to, respec­ti­va­mente 74%, 72%, 72% e 60%.

“Um pon­to muito impor­tante é o apoio das famílias à retoma­da pres­en­cial, à vaci­nação e ao papel dos pro­fes­sores. A gente obser­va, mais uma vez, o apoio muito grande ao papel do pro­fes­sor e a neces­si­dade de pri­or­i­dade e val­oriza­ção desse profis­sion­al. Afi­nal, foram dois anos em que tiver­am con­ta­to com pro­fes­sores de for­ma próx­i­ma como nun­ca ocor­reu”, diz Patrí­cia.

O estu­do mostra tam­bém a percepção das famílias de que a gestão edu­ca­cional deve pri­orizar mais opor­tu­nidades de capacitação para os pro­fes­sores (23%), garan­tir o aumen­to salar­i­al dos docentes (43%), mel­ho­rar a infraestru­tu­ra das esco­las (30%) e ampli­ar o uso de tec­nolo­gia na educação (22%).

Segun­do Patrí­cia, a parce­ria com as famílias será essen­cial para que a apren­diza­gem seja retoma­da. “Que essa parce­ria entre esco­la e família só se for­t­aleça ain­da mais, porque é nes­sa retoma­da das aulas pres­en­ci­ais, com o diag­nós­ti­co [de apren­diza­gem dos alunos], que a gente vai ter a real dimen­são e a real mag­ni­tude do desafio do ensi­no apren­diza­gem à nos­sa frente nos próx­i­mos dois, três anos, pelo menos”.

Desigualdades

A pesquisa iden­ti­fi­cou que, em dezem­bro de 2021, mais de 800 mil estu­dantes con­tin­u­avam sem rece­ber nen­hum tipo de ativi­dade esco­lar, mes­mo estando matric­u­la­dos. Um em cada qua­tro estu­dantes encer­rou o ano sem nen­hu­ma ativi­dade pres­en­cial. Entre os estu­dantes de esco­las de baixo nível socioeconômico, esse índice chegou a 34%.

Em 2022, as redes de ensi­no no Brasil bus­cam estraté­gias para con­duzir o ano leti­vo. De acor­do com a Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz) e a Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria, a segu­rança na vol­ta às aulas pres­en­ci­ais, em meio à onda de trans­mis­são de covid-19 provo­ca­da pela vari­ante Ômi­cron, depende do enga­ja­men­to de toda a comu­nidade esco­lar, incluin­do os respon­sáveis. Além de estar aten­tos aos sin­tomas e aos pro­to­co­los, os pais devem se vaci­nar, vaci­nar seus fil­hos e par­tic­i­par da pre­venção no dia a dia.

A pesquisa rev­ela que, em dezem­bro de 2021, 89% dos estu­dantes de 12 a 17 anos da rede pública estavam vaci­na­dos e que no caso de 76% das crianças de 6 a 11 anos, os pais e responsáveis declararam que pre­tendi­am vaciná-las ime­di­ata­mente.

Edição: Graça Adju­to

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