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Encontro em Natal discute modelo de educação que não reprove estudante

Desafio foi lançado por representante do Unicef

Lety­cia Bond — Envi­a­da Espe­cial
Pub­li­ca­do em 11/12/2024 — 08:28
Natal
Natal(RN), 09/12/2024 - O coordenador do Instituto Anísio Teixeira, Gabriel Luhan, fala sobre o programa Agência de Notícias na Escola, da Bahia, durante a mesa: Experiências educacionais de inclusão com equidade por estado, no seninário
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

A rep­re­sen­tante do Fun­do das Nações Unidas para a Infân­cia (Unicef), Eron­d­i­na Sil­va, ape­sen­tou nes­sa terça-feira (10) em Natal, durante o sem­i­nário Desafios e Exper­iên­cias da Edu­cação no Nordeste, a pro­pos­ta de um mod­e­lo de edu­cação que não reprove os estu­dantes. 

O even­to foi pro­movi­do pela Sec­re­taria de Edu­cação, do Esporte e do Laz­er do Rio Grande do Norte, com o apoio do Insti­tu­to Cul­ti­va e do Con­sór­cio Nordeste. Com­pare­ce­r­am autori­dades do gov­er­no fed­er­al e dos nove esta­dos da região. O encon­tro foi orga­ni­za­do com o propósi­to de divul­gar ações region­ais que têm mel­ho­ra­do índices edu­ca­cionais e out­ros aspec­tos das comu­nidades esco­lares, como as relações entre pro­fes­sores, alunos e famil­iares dos estu­dantes.

Durante a apre­sen­tação do pro­gra­ma Avex­adas para Apren­der, imple­men­ta­do pelo gov­er­no do Rio Grande do Norte, pela União dos Diri­gentes Munic­i­pais de Edu­cação (Undime) e o Itaú Social, Eron­d­i­na disse que con­sid­era a dis­torção idade-série a mais grave questão edu­ca­cional. O moti­vo, expli­cou, é a lig­ação dire­ta desse fator com o que se chama de fra­cas­so esco­lar.

Natal(RN), 09/12/2024 - A oficial de Educação da UNICEF, Erondina Silva, fala durante a mesa: Experiências educacionais de inclusão com equidade por estado, no seninário
Repro­dução: Natal — A ofi­cial de Edu­cação do Unicef, Eron­d­i­na Sil­va, fala no sem­i­nário Desafios e Exper­iên­cias da Edu­cação no Nordeste. Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Avex­adas para Apren­der foi feito no con­tex­to da estraté­gia Tra­jetórias de Suces­so Esco­lar, do Unicef e, na inter­pre­tação de Eron­d­i­na, ofer­ece uma for­ma de o estu­dante “con­trari­ar des­ti­nos”. Segun­do a rep­re­sen­tante do fun­do ess­es fatores cri­am um ciclo difí­cil de se que­brar, em que o estu­dante se sente cada vez mais desmo­ti­va­do para fre­quen­tar a esco­la.

Por essa razão, ela chama a atenção para a nat­u­ral­iza­ção da reprovação de meni­nos e meni­nas do Norte e Nordeste, das per­ife­rias dos grandes cen­tros urbanos, pre­tos, indí­ge­nas e pobres, que seri­am, na sua per­spec­ti­va, endos­sa­da pelas famílias em ger­al. “Isso é uma cul­tura, está no nos­so imag­inário, inclu­sive das famílias. O pai, às vezes, fala: Vai ser mel­hor para ele”, evi­den­cian­do que há mais de 4,3 mil­hões de estu­dantes com dis­torção idade-série.

Os prin­ci­pais obje­tivos do pro­gra­ma são, de modo sim­ples, aten­uar o sen­ti­men­to de desân­i­mo que muitos estu­dantes sen­tem ao ter um desem­pen­ho con­sid­er­a­do ruim — alguns deles, inclu­sive, encar­an­do reprovações de série -, evi­tar que deix­em a esco­la e enfrentar a dis­torção idade-série (de dois anos ou mais de atra­so esco­lar).

Des­de janeiro, o Avex­adas para Apren­der foi gan­han­do com­plex­i­dade mês a mês. Em jun­ho, por exem­p­lo, as equipes já falavam de lín­gua por­tugue­sa, alfa­bet­i­za­ção e mul­ti­le­tra­men­to, ter­mo que com­por­ta diver­si­dades e se dis­tan­cia, por­tan­to, de um sis­tema esco­lar exces­si­va­mente rígi­do. Nesse caso, uma palavra que abar­ca o mun­do dig­i­tal, que não fica mais fora da roti­na dos alunos e, con­se­quente­mente, dos cur­rícu­los.

Escola rural

A Bahia é um dos esta­dos mais pop­u­losos do Brasil. Emb­o­ra os ven­tos e as águas do mar da primeira cap­i­tal do país ain­da car­reguem men­sagens, grande parte delas é difun­di­da pelos veícu­los dig­i­tais. Cri­a­do em 2023, pela Sec­re­taria de Edu­cação do esta­do e o Insti­tu­to Aní­sio Teix­eira (IAT), o pro­je­to Agên­cia de Notí­cias na Esco­la adi­cio­nou cria­tivi­dade ao demon­strar como assim­i­la um princí­pio da Base Nacional Comum Cur­ric­u­lar (BNCC).

Por meio da pro­dução de notí­cias, os estu­dantes exerci­tam o pen­sa­men­to críti­co, a cidada­nia e o tra­bal­ho colab­o­ra­ti­vo ref­er­en­ci­a­dos na BNCC. Cada esco­la sele­ciona­da recebe R$ 20 mil, em média, para a com­pra de equipa­men­tos como note­book, câmeras e micro­fones.

O IAT colab­o­ra com for­mação e asses­so­ria téc­ni­ca e pedagóg­i­ca. A abor­dagem tem como base o “apren­der fazen­do” (learn­ing by doing), de Aní­sio Teix­eira e out­ros pen­sadores.

Em um ano de fun­ciona­men­to, o pro­je­to aumen­tou sua pre­sença. O total de esco­las par­tic­i­pantes pas­sou de 50 para 81, dis­tribuí­das em 74 municí­pios. Atual­mente, 162 pro­fes­sores e 855 estu­dantes estão no pro­gra­ma, que pro­por­cio­nou relações mais hor­i­zon­tais, em lugar das hier­ar­quizadas, recon­hec­i­men­to dos estu­dantes pelo que pro­duzem, apri­mora­men­to de habil­i­dades de leitu­ra, escri­ta, pesquisa e argu­men­tação. Out­ros bene­fí­cios foram o maior con­ta­to com seus ter­ritórios e o desen­volvi­men­to da autono­mia e da respon­s­abil­i­dade, além de a agên­cia poder ser uma via de expressão para eles.

Grad­u­a­da em Letras e mestre em Lin­gua­gens, a edu­cado­ra Char­lene de Jesus diz que há cin­co anos ape­nas é que foi se desco­brir como mul­her negra. Ali começou a dividir, com suas tur­mas, o que foi apren­den­do sobre letra­men­to racial.

Natal(RN), 09/12/2024 - A professora, Charlene Cristine de Jesus, fala sobre o programa Agência de Notícias na Escola, da Bahia, durante a mesa: Experiências educacionais de inclusão com equidade por estado, no seninário
Repro­dução: Natal — A pro­fes­so­ra, Char­lene Cristine de Jesus, fala sobre o pro­gra­ma Agên­cia de Notí­cias na Esco­la, da Bahia. Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ela con­ta que os estu­dantes vão cobrir um even­to que será real­iza­do den­tro de alguns dias, em Sal­vador, e que já estão fazen­do até reuniões de pau­ta, como acon­tece no jor­nal­is­mo profis­sion­al, em que repórteres e chefias definem o que será apu­ra­do e pub­li­ca­do. Uma das alu­nas, de 17 anos e que vem desem­pen­han­do a função de repórter, se iden­ti­fi­cou com a car­reira. “Ela diz: min­ha von­tade é con­tin­uar nes­sa área”, rela­ta Char­lene, que atua no Colé­gio Estad­ual Pro­fes­sor Car­los Val­adares, no municí­pio de San­ta Bár­bara.

“É impor­tante mostrar a eles que é necessário faz­er um tra­bal­ho de qual­i­dade, entre­gar a essa comu­nidade, a ess­es jovens. São jovens falan­do com jovens. Eles têm uma lin­guagem própria. Se eu falasse, talvez não tivesse o alcance que eles têm”, obser­va.

“A gente tam­bém tra­ta de edu­cação midiáti­ca, a importân­cia de dis­cu­tir fake news na esco­la, de traz­er out­ros temas, como o Enem [Exame Nacional do Ensi­no Médio], o mer­ca­do de tra­bal­ho, val­orizar o cur­so téc­ni­co que tem na esco­la”, acres­cen­ta a edu­cado­ra.

Os alunos do pro­je­to já tiver­am um momen­to emo­cio­nante na cober­tu­ra da agen­da da min­is­tra da Cul­tura, Mar­gareth Menezes, na cap­i­tal, durante os encon­tros de rep­re­sen­tantes do G20. Para­le­la­mente, estão ativos mais dois veícu­los: o Suple­men­to Literário Esco­lar e o Sertão­cast, toca­dos por out­ros pro­fes­sores.

“A gente tem que parar de diminuir o aluno. Essa edu­cação que não per­mite mais eu me colo­car em pata­mar aci­ma do aluno. Eu sou medi­ado­ra daque­le con­hec­i­men­to, porque ten­ho mais exper­iên­cia, mas ele fazem uma tro­ca que é imen­sa”, final­iza Char­lene.

*A repórter via­jou a con­vite do Con­sór­cio Nordeste, com o apoio do Insti­tu­to Cul­ti­va.

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