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Em 2040, Brasil poderá ter carência de 235 mil professores, diz estudo

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Pesquisa aponta para risco de falta de professores no ensino básico


Pub­li­ca­do em 29/09/2022 — 15:55 Por Daniel Mel­lo — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Uma pesquisa divul­ga­da hoje (29) pelo Sindi­ca­to das Enti­dades Man­tene­do­ras de Esta­b­elec­i­men­tos de Ensi­no Supe­ri­or no Esta­do de São Paulo (Seme­sp) mostra que até 2040 o Brasil poderá ter uma carên­cia de 235 mil pro­fes­sores de edu­cação bási­ca. 

O estu­do apon­ta para um cres­cente desin­ter­esse, espe­cial­mente dos jovens, em seguir a car­reira docente. Segun­do o estu­do, o cresci­men­to no número de ingres­santes em cur­sos de licen­ciatu­ra foi menor do que no restante do ensi­no supe­ri­or. De 2010 a 2020, hou­ve um cresci­men­to de 53,8% no ingres­so em grad­u­ações que tem como car­reira o ensi­no, enquan­to nos demais cur­sos o aumen­to ficou em 76% no perío­do.

O estu­do apon­ta ain­da o prob­le­ma da evasão. Nos dez anos anal­isa­dos, o per­centu­al de estu­dantes que con­cluiu os cur­sos de licen­ciatu­ra aumen­tou ape­nas 4,3%.

O lev­an­ta­men­to foi feito a par­tir de dados disponi­bi­liza­dos pelo Insti­tu­to Nacional de Estu­dos e Pesquisas Edu­ca­cionais Aní­sio Teix­eira (Inep), que é vin­cu­la­do ao Min­istério da Edu­cação. Ain­da a par­tir dessa base de dados, a pesquisa mostra que o per­centu­al de novos alunos em cur­sos de licen­ciatu­ra com até 29 anos de idade caiu de 62,8%, em 2010, para 53%, em 2020.

Assim, a car­reira vem reg­is­tran­do, segun­do a pesquisa, um envel­hec­i­men­to dos profis­sion­ais. Entre 2009 e 2021, o número de pro­fes­sores em iní­cio de car­reira, com até 24 anos de idade, caiu de 116 mil para 67 mil, uma retração de 42,4%. Ao mes­mo tem­po, o per­centu­al de docentes do ensi­no bási­co com 50 anos ou mais cresceu 109% no perío­do.

A pres­i­dente do Seme­sp, Lúcia Teix­eira, desta­ca que a for­mação de pro­fes­sores com mais de 29 anos não sig­nifi­ca, nec­es­sari­a­mente, a entra­da de novos pro­fes­sores na car­reira. Segun­do ela, ess­es profis­sion­ais são, na maio­r­ia das vezes, pes­soas que já tra­bal­ham na área. “Isso acon­tece em razão da lei que obri­ga o pro­fes­sor em exer­cí­cio a ter for­mação mín­i­ma na área de ped­a­gogia ou em licen­ciat­uras para o mag­istério na edu­cação bási­ca”, expli­ca.

Cursos

Algu­mas car­reiras estão em situ­ação mais del­i­ca­da do que out­ras. A pesquisa mostra que caiu em 21,3% o número de alunos que con­cluiu o cur­so de licen­ciatu­ra em biolo­gia entre 2016 e 2020. Em quími­ca, a redução ficou em 12,8% no perío­do e, em letras, 10,1%.

De acor­do com a pesquisa, o número total de docentes da edu­cação bási­ca está esta­bi­liza­do em cer­ca de 2,2 mil­hões des­de 2014, após ter tido um cresci­men­to de 10,8% em com­para­ção com 2009. Ess­es pro­fes­sores aten­dem uma pop­u­lação de aprox­i­mada­mente 44,6 mil­hões de jovens com idade entre 3 e 17 anos.

A pro­jeção do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE) é que, em 2040, o Brasil ten­ha cer­ca de 40 mil­hões de jovens nes­sa faixa etária. Para man­ter a pro­porção atu­al de pro­fes­sores e alunos, seria necessário ter 1,97 mil­hão de docentes. No entan­to, o estu­do pro­je­ta, a par­tir das taxas obser­vadas até 2021, que o país chegue a esse momen­to com ape­nas 1,74 mil­hão de pro­fes­sores.

Desinteresse

Professor dá aula em Manaus
Repro­dução: Pro­fes­sor dá aula em Man­aus — Cam­in­hos da Reportagem/Arquivo TV Brasil

Entre os fatores que lev­am ao afas­ta­men­to dos jovens da car­reira de pro­fes­sor, o estu­do desta­ca a baixa remu­ner­ação. Em 2020, os pro­fes­sores do ensi­no médio rece­bi­am, em média, R$ 5,4 mil por mês, o que rep­re­sen­ta 82% da ren­da média das pes­soas empre­gadas com ensi­no supe­ri­or (R$ 6,5 mil).

Além dis­so, o estu­do apon­ta para “o aban­dono da profis­são dev­i­do às condições de tra­bal­ho precárias, como infraestru­tu­ra ruim de algu­mas esco­las, fal­ta de equipa­men­tos e mate­ri­ais de apoio, vio­lên­cia na sala de aula e prob­le­mas de saúde, agrava­dos com a pan­demia de covid-19”.

Edição: Lílian Beral­do

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