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Garimpo ameaça indígenas isolados em área Yanomami

 

Repro­dução: © LEO OTERO/MPI

Comunidade está a apenas 15 quilômetros de um ponto de garimpo ilegal


Pub­li­ca­do em 11/02/2023 — 08:01 Por Pedro Rafael Vilela e Vitor Abdala — Envi­a­dos Espe­ci­ais — Boa Vista

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Um grupo de indí­ge­nas iso­la­dos, den­tro do Ter­ritório Yanoma­mi, em Roraima, está a ape­nas 15 quilômet­ros de um pon­to de garim­po ile­gal. Ima­gens cap­tadas durante um sobrevoo, nes­ta sex­ta-feira (10), com­pro­vam a existên­cia da comu­nidade e reg­is­tram, inclu­sive, mal­o­cas e plan­tações de ali­men­tos no entorno.

O mon­i­tora­men­to faz parte de uma ação coor­de­na­da que envolveu os min­istérios dos Povos Indí­ge­nas e do Meio Ambi­ente, a Fun­dação Nacional dos Povos Indí­ge­nas (Funai), o Insti­tu­to Brasileiro do Meio Ambi­ente e dos Recur­sos Nat­u­rais Ren­ováveis (Iba­ma), a Força Nacional e Polí­cia Fed­er­al.

De acor­do com a Funai, tratam-se de indí­ge­nas do povo Mox­i­hatëtëa. Eles ain­da não foram con­tata­dos, mas são mon­i­tora­dos pela fun­dação des­de 2010. Os povos iso­la­dos são comu­nidades que, por decisão própria ou por deter­mi­nadas cir­cun­stân­cias, vivem em iso­la­men­to total ou sem con­ta­to sig­ni­fica­ti­vo com a sociedade em ger­al.

Pelo menos des­de 2017, o Min­istério Públi­co Fed­er­al (MPF) vem aler­tan­do sobre a ameaça de genocí­dio dos povos yanoma­mi iso­la­dos Mox­i­hatëtëa. Em 2021, dois indí­ge­nas da comu­nidade foram mor­tos a tiros por garimpeiros.

Repro­dução: Ação coor­de­na­da do gov­er­no fed­er­al no ter­ritório Yanoma­mi encon­tra comu­nidade de povo indí­ge­na iso­la­do (Mox­i­hatëtë), sem nen­hum con­ta­to com a sociedade. Eles vivem a ape­nas 15 km de um pon­to de garim­po. — LEO OTERO/MPI

Além dos Mox­i­hatëtëa, a Funai esti­ma que há pelo menos out­ras três comu­nidades de indí­ge­nas iso­la­dos no ter­ritório Yanoma­mi, mas ain­da não há com­pro­vação ofi­cial. O temor dos espe­cial­is­tas é que o con­ta­to força­do dessas comu­nidades iso­ladas com não indí­ge­nas provoque a diz­imação dess­es povos, seja por con­fli­tos dire­tos ou propa­gação de doenças.

Afe­ta­dos pela pre­sença do garim­po ile­gal em suas ter­ras há anos, os indí­ge­nas yanoma­mi têm sofri­do com casos de desnu­trição, doenças como malária e pneu­mo­nia, além de vio­lên­cia, incluin­do episó­dios de agressões e assas­si­natos. A situ­ação se agravou nos últi­mos qua­tro anos.

A reper­cussão inter­na­cional das ima­gens de cri­anças e adul­tos desnu­tri­dos e de unidades de saúde lotadas de pes­soas com malária e out­ras doenças mobi­li­zou o gov­er­no fed­er­al a imple­men­tar medi­das emer­gen­ci­ais para socor­rer os yanoma­mi. As ações incluem a elab­o­ração de relatórios de diag­nós­ti­co, envio de equipes médi­cas, de insumos e ali­men­tos, bem como a repressão dire­ta aos garimpeiros e seus finan­ciadores.

Edição: Lílian Beral­do

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