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Ato chama atenção sobre projetos que ameaçam o meio ambiente

Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Manifestação foi esta tarde na Avenida Paulista, em São Paulo


Pub­li­ca­do em 18/06/2023 — 18:05 Por Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil — Sõ Paulo

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Um imen­so e infláv­el globo ter­restre surgiu neste domin­go (18) na Aveni­da Paulista, em São Paulo, para chamar a atenção da pop­u­lação sobre diver­sos pro­je­tos que foram aprova­dos ou estão em trami­tação no Con­gres­so Nacional e que podem ameaçar as pop­u­lações orig­inárias e o meio ambi­ente. Entre eles, o que tra­ta sobre o mar­co tem­po­ral, que esta­b­elece que serão con­sid­er­adas ter­ras indí­ge­nas os lugares ocu­pa­dos por povos tradi­cionais até o dia 5 de out­ubro de 1988, data da pro­mul­gação da Con­sti­tu­ição.

O ato foi pro­movi­do por insti­tu­ições e orga­ni­za­ções ambi­en­tais e lev­ou cen­te­nas de pes­soas para a Aveni­da Paulista. Com car­tazes lem­bran­do as mortes do jor­nal­ista Dom Phillips e o indi­genista Bruno Pereira, além de faixas e más­caras do pres­i­dente da Câmara dos Dep­uta­dos, Arthur Lira, e de ani­mais, os man­i­fes­tantes fiz­er­am uma cam­in­ha­da con­tra o mar­co tem­po­ral e pedi­ram por soluções urgentes para a crise climáti­ca.

São Paulo (SP), 18/06/2023 - Manifestação em defesa do Meio Ambiente - Organizações e coletivos, povos originários e a população em geral fazem ato na Avenida Paulista em protesto contra as recentes ameaças socioambientais aprovadas no Congresso Nacional. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Man­i­fes­tação em defe­sa do meio ambi­ente na Aveni­da Paulista — Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

A man­i­fes­tação ocor­reu tam­bém em out­ras cap­i­tais como Belo Hor­i­zonte, Flo­ri­anópo­lis, Brasília e Rio de Janeiro. “É impor­tante que a gente dê uma respos­ta tan­to para a Câmara [dos Dep­uta­dos] quan­to para o Sena­do do que a gente quer com relação ao meio ambi­ente. Esse novo gov­er­no tem como base várias pro­postas em relação à pro­teção ambi­en­tal e pro­teção do cli­ma, mas essas coisas não vão andar se a gente não apoiar essas decisões e mostrar­mos que essa tam­bém é uma deman­da da sociedade”, disse Aldrey Riechel, do Ami­gos da Ter­ra e do Obser­vatório do Códi­go Flo­re­stal, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Segun­do ela, a pop­u­lação mundi­al já vem obser­van­do os riscos de não se pen­sar em uma econo­mia verde e sus­ten­táv­el. “Já vemos situ­ações extremas nas grandes cidades e a gente pre­cisa começar a mit­i­gar e não impactar mais [o meio ambi­ente]. E essa tran­sição de uma econo­mia dev­as­ta­do­ra para uma econo­mia verde só vai acon­te­cer se todo mun­do começar a agir jun­to e pen­sar de uma for­ma cole­ti­va”, defende.

Quem con­cor­da que é pre­ciso uma ação cole­ti­va da sociedade é Yakuy Tupinam­bá, do povo tupinam­bá de Olivença, no sul da Bahia, na região de Ilhéus. Para ela, o ato deste domin­go é impor­tante para chamar a atenção para os prob­le­mas que acabam atingin­do toda a pop­u­lação brasileira, não somente os povos orig­inários. “Ten­ho dito que fal­ta no povo brasileiro poli­ti­za­ção. E a poli­ti­za­ção ele­va o nív­el de con­sciên­cia. Está fal­tan­do uma con­sciên­cia cole­ti­va de per­tenci­men­to sobre o lugar onde você nasce e onde você se cria. Quem tem per­tenci­men­to, cui­da. Mas quem não tem, só explo­ra. Essa luta con­tra esse desmonte das leis ambi­en­tais não afe­ta só os povos indí­ge­nas ou os brasileiros. Afe­ta todo o plan­e­ta, afi­nal, a mãe-Ter­ra é um grande útero. E essa con­sciên­cia pre­cisa ser des­per­ta­da em cada indi­ví­duo, do seu per­tenci­men­to nesse organ­is­mo vivo que é a mãe-Ter­ra”, desta­cou.

São Paulo (SP), 18/06/2023 - Manifestação em defesa do Meio Ambiente - Organizações e coletivos, povos originários e a população em geral fazem ato na Avenida Paulista em protesto contra as recentes ameaças socioambientais aprovadas no Congresso Nacional. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Man­i­fes­tação em defe­sa do meio ambi­ente na Aveni­da Paulista — Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Para Yakuy Tupinam­bá, o esta­b­elec­i­men­to do mar­co tem­po­ral, aprova­do na Câmara, é incon­sti­tu­cional. “O mar­co tem­po­ral nem era para exi­s­tir. Quan­do se pen­sa no orde­na­men­to jurídi­co do Esta­do brasileiro, ele é incon­sti­tu­cional. Isso é mais uma nar­ra­ti­va que vem sendo colo­ca­da pela men­tal­i­dade colo­nial­ista para usurpar o que ain­da res­ta desse ter­ritório”, disse. “Nós per­manece­mos resistin­do. Esse mar­co tem­po­ral dev­e­ria ser inver­tido, era nós [povos orig­inários] que dev­eríamos diz­er que vocês chegaram depois”, acres­cen­ta.

Yakuy aproveitou o ato em São Paulo para tam­bém pro­mover a pro­pos­ta de con­strução de uma esco­la filosó­fi­ca dos povos orig­inários. A ideia seria, por exem­p­lo, de que esco­las pudessem levar os estu­dantes para vivên­cias e tro­cas com a pop­u­lação indí­ge­na. “Nos­sa pro­pos­ta con­tem­pla os 17 obje­tivos do desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el (ODS) da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas. A pro­pos­ta é de uma esco­la viva, orgâni­ca, para semear. Nos­so públi­co-alvo é o infan­to-juve­nil. Seria um apren­diza­do vivo, através de tro­ca de saberes, de reconexão com a mãe-Ter­ra e de des­col­o­niza­ção. Elas [cri­anças e jovens] fari­am vivên­cias e ofic­i­nas”, expli­cou.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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