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Eventos climáticos podem levar milhões à pobreza extrema no Brasil

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo o Banco Mundial, país pode reverter o cenário com investimento


Pub­li­ca­do em 04/05/2023 — 09:10 Por Paulliny Tort – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Even­tos rela­ciona­dos ao cli­ma podem levar de 800 mil a 3 mil­hões de brasileiros à pobreza extrema a par­tir de 2030. Os dados são do Relatório sobre Cli­ma e Desen­volvi­men­to para o Brasil (CCDR), divul­ga­do nes­ta quin­ta-feira (4) pelo Ban­co Mundi­al.

Segun­do o estu­do – que avalia políti­cas e opções para que o país cumpra seus obje­tivos climáti­cos e de desen­volvi­men­to –, secas, enchentes e inun­dações nas cidades causam per­das de R$ 13 bil­hões (0,1% do PIB de 2022) ao ano.

Para Stephane Hal­le­gate, con­sul­tor de Mudanças Climáti­cas do Ban­co Mundi­al e co-autor do relatório, o país tem grandes desigual­dades e os pobres já estão mais expos­tos ao risco de desas­tres e mudanças climáti­cas. O cenário pode, no entan­to, ser rever­tido com inves­ti­men­to.

“Inve­stir em pes­soas e em infraestru­tu­ra em áreas menos desen­volvi­das é impor­tante para tornar essa pop­u­lação de baixa ren­da mais resiliente. Isso irá ajudá-los a sair da pobreza e con­tribuir para o cresci­men­to econômi­co do país”, afir­ma.

O pon­to de par­ti­da do CCDR são os obje­tivos esta­b­ele­ci­dos pelo próprio país no Acor­do de Paris e nas edições da Con­fer­ên­cia das Partes (COPs). Para atin­gir ess­es obje­tivos, o relatório recomen­da ações em qua­tro frentes: refor­mas estru­tu­rais e medi­das de aumen­to da pro­du­tivi­dade, políti­cas econômi­cas abrangentes para o cresci­men­to resiliente e de baixo car­bono, políti­cas seto­ri­ais e pacotes de inves­ti­men­tos, além de ações para asse­gu­rar o finan­cia­men­to dos inves­ti­men­tos necessários.

Com isso, acred­i­ta-se que o Brasil pos­sa atin­gir um desen­volvi­men­to verde e acabar com o des­mata­men­to ile­gal até 2028, além de reduzir as emis­sões de gas­es de efeito est­u­fa (GEE) em 50% até 2030, além de zer­ar as emis­sões líquidas até 2050.

Pobreza X crescimento inclusivo

Emb­o­ra o Brasil ten­ha reduzi­do dras­ti­ca­mente a parcela de pes­soas que vivi­am em situ­ação de pobreza extrema nas últi­mas três décadas, o número de indi­ví­du­os nes­sa condição aumen­tou em 2015 e 2016, chegan­do a 5,8% da pop­u­lação em 2021.

De acor­do com o relatório, o aumen­to da pobreza extrema pode vari­ar de 0,4% a 1,3% até 2030, depen­den­do do mod­e­lo de desen­volvi­men­to escol­hi­do. Reduções do rendi­men­to agrí­co­la rela­cionadas ao cli­ma, even­tos climáti­cos extremos, alter­ações nos preços dos ali­men­tos, impactos na saúde e redução da pro­du­tivi­dade do tra­bal­ho dev­i­do ao calor são alguns dos fatores que podem levar a esse cenário.

O CCDR sug­ere, no entan­to, diver­sas medi­das para que o Brasil pos­sa cumprir o com­pro­mis­so de zer­ar o des­mata­men­to ile­gal até 2028 sem prej­u­dicar o desen­volvi­men­to. Den­tre as medi­das está o apoio a ativi­dades econômi­cas sus­ten­táveis baseadas no solo e nas flo­restas.

Para os autores do estu­do, a expan­são de áreas pro­te­gi­das, inclu­sive de ter­ritórios indí­ge­nas, mel­ho­raria a gov­er­nança flo­re­stal, crian­do opor­tu­nidades para paga­men­tos por cuida­dos com a natureza, tais como eco­tur­is­mo, col­hei­ta sus­ten­táv­el de pro­du­tos flo­restais não madeireiros e sis­temas agroflo­restais. A cri­ação de Reser­vas Flo­restais Legais (RFLs), con­forme exigi­do pelo Códi­go Flo­re­stal, tam­bém ofer­e­ce­ria opor­tu­nidade de ger­ação de ren­da e cresci­men­to inclu­si­vo.

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Competitividade e energia

As mudanças climáti­cas já estão alteran­do os padrões de tem­per­atu­ra e o regime plu­viométri­co no Brasil, resul­tan­do em menos disponi­bil­i­dade de água e secas pro­lon­gadas. Segun­do o CCDR, ess­es prob­le­mas se agravarão com o tem­po e podem ger­ar con­se­quên­cias graves para a agri­cul­tura, o abastec­i­men­to de água nas cidades, a infraestru­tu­ra de trans­porte e para a ger­ação de ener­gia hidrelétri­ca, afe­tan­do a com­pet­i­tivi­dade econômi­ca.

O impacto pro­je­ta­do pelo estu­do de um pos­sív­el pon­to de inflexão na Amazô­nia sobre o PIB brasileiro até 2050 seria de aprox­i­mada­mente R$ 920 bil­hões. O pon­to de inflexão é uma espé­cie de colap­so e acon­te­ceria quan­do a quan­ti­dade de árvores não for mais sufi­ciente para ger­ar a umi­dade necessária à sus­ten­tação da flo­res­ta.

Emb­o­ra o Brasil seja um dos dez maiores emis­sores de gas­es de efeito est­u­fa do mun­do, o per­fil das emis­sões difere do de out­ros país­es. Entre 2000 e 2020, a origem de 76% das emis­sões do país era a mudança no uso do solo, incluin­do des­mata­men­to e agri­cul­tura, em com­para­ção com 18% para as emis­sões globais. Por out­ro lado, quase a metade do supri­men­to de ener­gia do Brasil, incluin­do mais de 80% de sua elet­ri­ci­dade, é prove­niente de fontes ren­ováveis, em com­para­ção com as médias mundi­ais de cer­ca de 15% a 27%.

Ain­da segun­do o CCDR, a prevalên­cia de ener­gia ren­ováv­el e o poten­cial brasileiro para a pro­dução de bens e serviços ecológi­cos colo­cam o país em van­tagem com­pet­i­ti­va no fornec­i­men­to dos pro­du­tos necessários para a descar­boniza­ção (reti­ra­da de dióx­i­do de car­bono da atmos­fera), incluin­do min­erais verdes, hidrogênio verde e pro­du­tos ecológi­cos man­u­fat­u­ra­dos. Pri­orizar esforços para con­ter o des­mata­men­to per­mi­tiria ao Brasil não ape­nas preser­var seus ecos­sis­temas, mas descar­bonizar grad­ual­mente out­ros setores pro­du­tivos.

“O uso sus­ten­táv­el dos recur­sos nat­u­rais está se tor­nan­do um req­ui­si­to para a com­pet­i­tivi­dade nos mer­ca­dos inter­na­cionais. Primeiro, porque as tec­nolo­gias verdes estão gan­han­do espaço e isso afe­ta a deman­da. Por exem­p­lo, os veícu­los elétri­cos estão crescen­do rap­i­da­mente. O Brasil demon­strou capaci­dade de ino­var e lid­er­ar em novas tec­nolo­gias e pode se ben­e­fi­ciar” con­clui Hal­le­gate.

Edição: Denise Griesinger

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