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Garimpo ilegal em Terra Indígena Yanomami é destruidor, diz ministra

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Sonia Guajajara visitou território e sobrevoou áreas de garimpo


Pub­li­ca­do em 06/02/2023 — 22:43 Por Pedro Rafael Vilela – Envi­a­do espe­cial — Boa Vista

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A min­is­tra dos Povos Indí­ge­nas, Sonia Gua­ja­jara, descreveu como destru­ido­ra a pre­sença do garim­po ile­gal na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi. Ela pas­sou a noite de domin­go (5) no polo base de Suru­cu­cu, que fica próx­i­mo à fron­teira com a Venezuela, na parte oeste do ter­ritório. Nes­ta segun­da-feira (6), ela voltou a Boa Vista e con­cedeu uma entre­vista cole­ti­va para con­tar o que viu.  

“O que está sendo noti­ci­a­do ain­da está longe de mostrar a real­i­dade ali, com essa pre­sença tão forte de garimpeiros, com uma grande destru­ição no ter­ritório. É muito garim­po, garim­po infini­to, o ter­ritório está todo toma­do por garimpeiros, por destru­ição, por con­t­a­m­i­nação na água. Os yanoma­mi não têm como beber água, não têm água limpa para beber”, afir­mou.

A min­is­tra fez sobrevoos nas regiões de Homoxi e Xitei, que são duas das áreas com maior pre­sença de garimpeiros, e disse que não con­seguiu pousar em comu­nidades mais iso­ladas por fal­ta de segu­rança. Segun­do ela, os garimpeiros estão con­cen­tra­dos nas vilas maiores como for­ma de pro­teção.

“Ten­ta­mos pousar em dois lugares e não con­seguimos, por con­ta de inse­gu­rança. Muitos garimpeiros, ali den­tro, já estão saben­do que está ten­do essa deter­mi­nação para reti­ra­da deles. E eles estão fug­in­do de garim­po menores e se con­cen­tran­do em garim­pos maiores, estão fican­do todos jun­tos”, afir­mou.

A min­is­tra disse que, em alguns locais, já não é mais pos­sív­el “dis­cernir o que é a comu­nidade indí­ge­na do que é o garim­po”.

Comunidades isoladas

Segun­do lid­er­anças locais, como Júnior Júnior Heku­rari Yanoma­mi, pres­i­dente do Con­sel­ho Dis­tri­tal de Saúde Indí­ge­na Yanoma­mi e Ye’Kua­na (Codisi-YY), há cer­ca de 180 comu­nidades iso­ladas que até ago­ra não con­seguiram rece­ber assistên­cia médi­ca nem social e não se sabe ain­da o esta­do de saúde dessas pes­soas. A esti­ma­ti­va é que essa pop­u­lação seja de aprox­i­mada­mente 15 mil pes­soas. São local­i­dades que esten­dem até mes­mo ao Ama­zonas, onde parte da Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi está inseri­da.

“São 180 comu­nidades [com] pri­or­i­dade, que esta­mos pre­cisan­do aten­der. Essas 180 comu­nidades estão sem atendi­men­to, que fazem parte tam­bém do Ama­zonas, prin­ci­pal­mente Barce­los”.

Malocas de aldeias Yanomamis na região do Surucucu, dentro da Terra Indígena Yanomami, Oeste de Roraima, avistadas em sobrevoo da Força Aéra Brasileira para lançamendo de suprimentos em ajuda humanitária.
Repro­dução: Mal­o­cas de aldeias Yanomamis na região do Suru­cu­cu, den­tro da Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

A min­is­tra tam­bém falou sobre a morte de um bebê indí­ge­na, que não pôde ser removi­do para Boa Vista por causa do mau tem­po, e do assas­si­na­to de três indí­ge­nas por garimpeiros. Pelo menos um cor­po foi entregue à família e dois ain­da pre­cisam ser res­gata­dos. Um deles foi mor­to na região do Homoxi e os out­ros dois na região de Pari­ma. A Polí­cia Fed­er­al (PF) cumpre diligên­cias no ter­ritório para inves­ti­gar os crimes.

Medidas

Sonia Gua­ja­jara disse que, em até três sem­anas, a refor­ma na pista do aeró­dro­mo de Suru­cu­cu dev­erá ficar pronta, o que per­mi­tirá o pouso de aeron­aves maiores. A medi­da vai via­bi­lizar a estru­tu­ração de um hos­pi­tal de cam­pan­ha para aten­der casos mais com­plex­os sem neces­si­dade de remoção de todos os pacientes para Boa Vista. Segun­do o coor­de­nador local do Cen­tro de Oper­ações de Emergên­cia (COE), Ernani San­tos, a deman­da de atendi­men­to deve aumen­tar nas próx­i­mas deman­das e a con­strução de um novo hos­pi­tal vai desafog­ar a rede da cap­i­tal.

“A gente está enten­den­do que a deman­da vai aumen­tar. A intenção nos­sa é que esse hos­pi­tal pos­sa dar esse suporte, até porque, hoje, um terço das inter­nações aqui no Hos­pi­tal da Cri­ança, no municí­pio [Boa Vista], são de yanoma­mi. E a Casai [Casa de Saúde Indí­ge­na] está no seu lim­ite”.

No bal­anço des­ta segun­da-feira, o COE infor­mou que há 598 indí­ge­nas na Casai, entre pacientes e acom­pan­hantes. No Hos­pi­tal da Cri­ança de Boa Vista, há 50 indí­ge­nas inter­na­dos, sendo qua­tro deles na Unidade de Ter­apia Inten­si­va. A pre­visão do gov­er­no é que nos próx­i­mos dias mais nove equipes da Força Nacional do SUS desem­bar­quem no ter­ritório. O total de equipes deve chegar a 25 até o fim de sem­ana.

Alimentos

Lançamento aéreo de suprimentos de ajuda humanitária às aldeias indígenas Yanomami na região do Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, Oeste de Roraima, a partir de paraquedas do cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira.
Repro­dução: Lança­men­to aéreo de supri­men­tos de aju­da human­itária às aldeias indí­ge­nas Yanoma­mi na região do Suru­cu­cu, na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

O gov­er­no fed­er­al tam­bém está reavalian­do a dis­tribuição de ces­tas bási­cas de ali­men­tos aos indí­ge­nas yanoma­mi. Os ali­men­tos envi­a­dos não são os que fazem parte da dieta tradi­cional dos indí­ge­nas e estão sendo bus­ca­dos tam­bém por garimpeiros que, impe­di­dos de sair por via aérea do ter­ritório, estão fican­do tam­bém sem man­ti­men­tos. De acor­do com Lucia Alber­ta Andrade, dire­to­ra de Pro­moção ao Desen­volvi­men­to Sus­ten­táv­el da Fun­dação Nacional dos Povos Indí­ge­nas (Funai), os yanoma­mi querem retomar sua pro­dução urgente.

“Vamos começar um apoio para que algu­mas aldeias, que estão um pouco mais tran­quilas, come­cem a pro­duzir suas roças. Eles não querem mais con­sumir as ces­tas que esta­mos envian­do. Querem pro­duzir, plan­tar sua man­dio­ca, sua banana. E isso foi solic­i­ta­do”, expli­cou.

O Min­istério do Desen­volvi­men­to Social e Com­bate à Fome tam­bém deve atu­ar na per­furação de poços arte­sianos e con­strução de cis­ter­nas na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi para garan­tir abastec­i­men­to de água potáv­el, uma vez que a con­t­a­m­i­nação dos rios por mer­cúrio, usa­do no garim­po, tem invi­a­bi­liza­do o con­sumo de água pelos indí­ge­nas, além de ser fonte de doenças.

Edição: Fábio Mas­sal­li

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