...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias / Mágicos relatam dificuldades e descobertas durante pandemia

Mágicos relatam dificuldades e descobertas durante pandemia

Repro­dução: © Divul­gação Rodri­go Lima mági­co

Dia Mundial do Mágico é comemorado hoje


Pub­li­ca­do em 31/01/2022 — 07:02 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro


O Dia Mundi­al do Mági­co, comem­o­ra­do hoje (31), pres­ta hom­e­nagem aos mestres da arte de cri­ar ilusões para pes­soas de todas as idades. A data foi escol­hi­da por mar­car a morte do san­to católi­co ital­iano São João Bosco, em 31 de janeiro de 1888 que, segun­do a história, tam­bém era mági­co, e foi escol­hi­do como padroeiro dess­es profis­sion­ais. João Mel­chior Bosco, nome de nasci­men­to do san­to, tra­bal­hou com mág­i­ca durante a ado­lescên­cia a fim de gan­har din­heiro para aju­dar na ren­da famil­iar.

Nos últi­mos dois anos, em função da pan­demia de covid-19, as asso­ci­ações de mági­cos e ilu­sion­istas têm se ressen­ti­do das apre­sen­tações e reuniões pres­en­ci­ais entre seus mem­bros. O dire­tor social do Cír­cu­lo Brasileiro de Ilu­sion­is­mo (CBI), Igor Mil­lor­di, disse que os mági­cos da enti­dade estão “segu­ran­do” encon­tros pres­en­ci­ais e con­frat­er­niza­ções por causa da pan­demia, adotan­do reuniões online.

O pres­i­dente do CBI, Hen­ri Sar­dou, afir­mou que a expec­ta­ti­va é retornar às ativi­dades pres­en­ci­ais ao lon­go deste ano. Para isso, pre­cisam encon­trar nova sede que abrigue tam­bém a bib­liote­ca de livros raros da enti­dade. “A gente está em bus­ca de uma sede para colo­car ess­es livros à dis­posição, tan­to dos mági­cos quan­to dos lei­gos que querem apren­der mág­i­ca”. O CBI é uma das mais anti­gas asso­ci­ações de mági­cos do país, fun­da­da em 1952. “A pan­demia foi muito ruim para os mági­cos, tan­to na parte com­er­cial, porque os shows prati­ca­mente zer­aram, quan­to na das asso­ci­ações de mági­cos, que perder­am a peri­od­i­ci­dade de encon­tros”.

AMI

O pres­i­dente da Acad­e­mia Mineira de Ilu­sion­is­mo (AMI), Hildon Dias, reforçou que a pan­demia afe­tou forte­mente a cat­e­go­ria porque, ape­sar de os mági­cos serem peças fun­da­men­tais em uma fes­ta ou espetácu­lo, são con­sid­er­a­dos supér­flu­os. “E quan­do se está com o orça­men­to aper­ta­do, a primeira coisa que se dis­pen­sa é o entreten­i­men­to mági­co”. Para Dias, “a pan­demia estragou tudo, porque acabou com os espetácu­los, com as fes­tin­has”.

Atual­mente, ape­sar da vari­ante Ômi­cron da covid-19, o pres­i­dente da AMI con­sid­era que as coisas já mel­ho­raram. Voltaram as fes­tas, com a adoção de todos os cuida­dos san­itários, inclu­sive nos teatros. Mas, no ápice da crise, muitos mági­cos chegaram a pas­sar neces­si­dade e a depen­der da aju­da de cole­gas. A AMI tem hoje 40 mági­cos fil­i­a­dos.

Nuamac

Alexan­dre Yoshi­da é pres­i­dente do Núcleo de Ami­gos Mági­cos do Ceará (Nua­mac) pelo segun­do manda­to. Ele disse que a profis­são de mági­co evoluiu muito no Brasil, prin­ci­pal­mente com a chega­da da inter­net, que facil­i­tou a questão de con­tatos e de comu­ni­cação entre os mági­cos brasileiros e estrangeiros. Yoshi­da afir­mou que, no Brasil, os mági­cos não são muito unidos, ao con­trário do que acon­tece na Argenti­na ou na Espan­ha, por exem­p­lo. “Esse indi­vid­u­al­is­mo impede que as coisas avancem com mais rapi­dez e força”, obser­vou. Ele atribui isso tam­bém ao fator cul­tur­al.

Alexan­dre Yoshi­da con­cor­da que a pan­demia afe­tou muito a cat­e­go­ria, porque o setor de even­tos foi o primeiro prej­u­di­ca­do e é o últi­mo que está voltan­do a fun­cionar. Por causa do avanço da vari­ante Ômi­cron, a comem­o­ração pelo Dia Mundi­al do Mági­co foi trans­feri­da para os dias 5 e 6 de março, “se não hou­ver novo decre­to” que sus­pen­da ativi­dades pres­en­ci­ais. O Nua­mac tem 19 anos de existên­cia. É uma das asso­ci­ações mais ati­vas do Brasil. Entre mági­cos profis­sion­ais e amadores, são 20 mem­bros.

Flasoma

O con­gres­so da Fed­er­ação Lati­no-Amer­i­cana de Sociedades Mág­i­cas (Fla­so­ma), que antes ocor­ria de dois em dois anos e  pas­sou a ser trien­al, não acon­te­ceu no Brasil em 2020, como esta­va pre­vis­to, em função da pan­demia. Ele seria real­iza­do em For­t­aleza, mas acabou adi­a­do para o primeiro semes­tre deste ano, em for­ma­to vir­tu­al. Esse é o prin­ci­pal even­to de mág­i­ca da Améri­ca Lati­na e tem grande tro­ca de exper­iên­cias entre mági­cos da região e e de out­ros país­es, infor­mou Yoshi­da.

Crianças

Para Rodri­go Lima, ser mági­co para uma plateia de cri­anças ”é incrív­el, porque a ener­gia delas, na maio­r­ia das vezes, retroal­i­men­ta. É tão bacana a ener­gia das cri­anças e seus sor­risos, que a gente sai con­ta­gia­do”. For­ma­do como anal­ista de sis­temas, Lima man­teve, no iní­cio, os dois nichos de mer­ca­do. Aos 30 anos de idade, porém, desco­briu que o que ele fazia por amor era a mág­i­ca.

Quem quer ser mági­co deve gostar de inter­a­gir com o públi­co e não ter ver­gonha de falar para as pes­soas, deixar a timidez de lado e assumir a per­son­al­i­dade do mági­co. Lima citou três pilares necessários a um bom mági­co: exerci­tar muito bem o truque, exaus­ti­va­mente; só faz­er o truque uma vez, porque a mág­i­ca é a sur­pre­sa; e guardar seg­re­do. Para viv­er de mág­i­ca, como faz Lima, o profis­sion­al deve beber de out­ras fontes, como estu­dar um pouco de mar­ket­ingter bom rela­ciona­men­to com as redes soci­ais, porque é onde cati­va os clientes. “É nes­sa conexão que você vai traz­er a família, as cri­anças e pais para con­tratar sua apre­sen­tação”.

Rodri­go Lima admi­tiu que a covid deu uma “rasteira” nos profis­sion­ais que tra­bal­ham com fes­tas mas, em con­tra­parti­da, abriu novos cam­in­hos. “Fui um pio­neiro em faz­er even­tos dig­i­tais pela platafor­ma Zoom fora de Per­nam­bu­co, em out­ros esta­dos e out­ros país­es, como a Aus­trália”. Recomen­dou aos profis­sion­ais do setor que é pre­ciso ficar aten­to e se adap­tar ao mer­ca­do. “Você tem duas opções: ou sen­tar e chorar ou ver como con­segue conexão com o cliente de for­ma online. Para mim, deu super cer­to”.

Referência

Pres­i­dente da Sociedade Mág­i­ca do Brasil (Som­bra), Kellys disse que existe asso­ci­ação de mági­cos em quase todas as cap­i­tais do país, cada uma com média de 15 inte­grantes, no mín­i­mo. De acor­do com Kellys, na Europa e nos Esta­dos Unidos, a mág­i­ca só perde para a caça e pesca como hob­by e, muitas vezes, é indi­ca­da no com­bate à depressão. “Creio que seja pela inter­ação com quem assiste e pelo envolvi­men­to com as pes­soas”.

Infor­mou que, no Brasil, os cur­sos de mág­i­ca são, de maneira ger­al, divi­di­dos em blo­cos, eta­pas ou módu­los, na maior parte min­istra­dos por mági­cos que estão pen­san­do em se aposen­tar, por enti­dades de mági­cos ou lojas que tra­bal­ham com equipa­men­tos para a classe. A arte de iludir já foi chama­da de escapis­mo e cria ilusões que sur­preen­dem, escapam à lóg­i­ca e enganam os nos­sos sen­ti­dos, em ger­al a nos­sa visão. Por isso se diz que as mãos de um mági­co devem ser mais ráp­i­das que os olhos de quem está assistin­do seu número.

Famosos

O mais famoso profis­sion­al da arte de iludir de todos os tem­pos foi Har­ry Hou­di­ni. Seu nome ain­da hoje é sinôn­i­mo de mág­i­ca. Começou a faz­er truques com car­tas de bar­al­ho e se apre­sen­ta­va em par­ques de diver­são, nos Esta­dos Unidos, no fim do sécu­lo 19.

Já o pai da mág­i­ca no Brasil é João Peixo­to dos San­tos, nat­ur­al da cidade de Formi­ga (MG), onde nasceu em maio de 1879. Apren­deu a faz­er mág­i­ca com estrangeiros que vin­ham ao Brasil e, aos 19 anos, foi estu­dar em Paris para se aper­feiçoar. Peixo­to instalou a primeira loja de mág­i­cas do Brasil: “A Casa das Mág­i­cas”, em 1910. São de sua auto­ria três livros con­sid­er­a­dos refer­ên­cia do profis­sion­al de mág­i­ca: “Trata­do Com­ple­to de Pres­tidig­i­tação e Ilu­sion­is­mo” (1937); Cur­so Práti­co de Pres­tidig­i­tação e Ilu­sion­is­mo” (1943); Trucs de Magia Sele­ciona­dos” (1946). 

Edição: Graça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d