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Projeto refloresta propriedades rurais em área de Mata Atlântica

Recuperação mata atlântica/ fauna/ flora
© Divulgação/PlantVerd (Repro­dução)

Iniciativa vai contemplar, até o fim do ano, 61,4 ha de áreas privadas


Pub­li­ca­do em 13/03/2021 — 15:51 Por Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Após sécu­los de destru­ição, a veg­e­tação nati­va de Mata Atlân­ti­ca havia prati­ca­mente desa­pare­ci­do em Cachoeiras de Macacu, na região met­ro­pol­i­tana do Rio de Janeiro, onde foi der­ruba­da para dar lugar a pas­to ou agri­cul­tura.

Depois de oito anos de plan­tio, a flo­res­ta final­mente voltou a ocu­par a pais­agem da Reser­va Ecológ­i­ca de Guapi­açu (Regua), no municí­pio flu­mi­nense. Patroci­na­do pela Petro­bras e pelo gov­er­no fed­er­al, o Pro­je­to Guapi­açu está recu­peran­do 260 hectares de veg­e­tação com espé­cies como jequitibá-rosa, jacarandá-da-bahia e cedro-rosa.

Des­de o ano pas­sa­do, uma nova fase da ini­cia­ti­va começou a expandir para além dos lim­ites da reser­va, e ações de restau­ração ecológ­i­ca começaram a ser feitas em pro­priedades rurais pri­vadas. O pro­je­to vai con­tem­plar, até o fim deste ano, 61,4 hectares de áreas par­tic­u­lares.

Para a coor­de­nado­ra exec­u­ti­va do pro­je­to Gabriela Viana, os bene­fí­cios da recu­per­ação de áreas de pasta­gens pouco uti­lizadas são maiores do que a sua não uti­liza­ção. Segun­do ela, o reflo­resta­men­to gera muitos serviços ambi­en­tais como água em quan­ti­dade e qual­i­dade, som­bra e mel­ho­ria do ar.

“Nós enten­demos que o nos­so grande desafio ago­ra é mostrar para os pro­pri­etários que, ao disponi­bi­lizar peque­nas áreas para recu­per­ação em beira de rio ou algu­ma nascente, eles tam­bém terão bene­fí­cios. Não é só o meio ambi­ente que terá bene­fí­cios”, disse Gabriela.

Acordos de cooperação

O pro­je­to está fir­man­do acor­dos de coop­er­ação com pes­soas físi­cas e jurídi­cas pro­pri­etárias de ter­ras viz­in­has à reser­va. “Entramos com a mão de obra e os insumos necessários para o reflo­resta­men­to. O inves­ti­men­to na área é feito pelo pro­je­to. Não tem cus­to para o pro­pri­etário. Mas nes­sa parce­ria temos que ter a garan­tia deles de que vão man­ter a área reflo­resta­da”, afir­mou a coor­de­nado­ra.

“O obje­ti­vo destas parce­rias é facil­i­tar a lig­ação de frag­men­tos flo­restais maduros e, claro, val­orizar e mel­ho­rar os recur­sos nat­u­rais, sobre­tu­do a água que nos abastece. A conexão por meio dos corre­dores é ain­da muito impor­tante para a bio­di­ver­si­dade de fau­na e flo­ra que pre­cisa da tro­ca de mate­r­i­al genéti­co”, expli­cou Aline Dam­a­s­ceno, engen­heira flo­re­stal do pro­je­to.

Ter­renos de pro­pri­etários rurais par­ceiros, como o Insti­tu­to Vital Brazil, já começaram a rece­ber as mudas de espé­cies de Mata Atlân­ti­ca. A escol­ha dos pro­pri­etários é fei­ta ten­do como base aque­les que estão com Cadas­tro Ambi­en­tal Rur­al (CAR) atu­al­iza­do e se mostram dis­pos­tos a for­mar o ban­co de áreas para restau­ração.

“A insti­tu­ição rece­beu com entu­si­as­mo a ini­cia­ti­va com o obje­ti­vo de cel­e­bramos a parce­ria em uma área de 10 hectares. Pouco tem­po após o iní­cio das ativi­dades, os resul­ta­dos têm sido visíveis e ani­madores. A recu­per­ação do solo e a restau­ração da mata cil­iar com o obje­ti­vo de esta­b­ele­cer conexões entre corre­dores flo­restais na local­i­dade são, sem dúvi­da, uma exce­lente estraté­gia e um pas­so impor­tante para a con­ser­vação da diver­si­dade biológ­i­ca na região”, disse, em nota, Áti­la de Cas­tro, pres­i­dente do Insti­tu­to Vital Brazil.

Mudança na paisagem

A primeira fase do pro­je­to, na alta bacia do Rio Guapi­açu, ocor­reu entre 2013 e 2015. O inten­so des­mata­men­to pro­movi­do ao lon­go de sécu­los havia resul­ta­do em um cenário que reu­nia fortes erosões, for­mação de sul­cos e nascentes secas.

Aos poucos, o espaço foi sendo trans­for­ma­do com o plan­tio de 180 mil mudas de 210 espé­cies nati­vas em uma área de 100 hectares. Entre 2017 e 2019 foram restau­ra­dos mais 60 hectares. A mais recente eta­pa do proces­so teve iní­cio em 2020 com a recu­per­ação da veg­e­tação de out­ros 100 hectares, des­ta vez, ben­e­fi­ci­a­dos com mais 130 mil plan­tas cul­ti­vadas.

“Hoje é evi­dente a trans­for­mação na pais­agem. A restau­ração ambi­en­tal des­ta área trouxe para a região uma série de bene­fí­cios: além da beleza e da mel­ho­ria do micro­cli­ma, há tam­bém a esta­bil­i­dade do solo e dos proces­sos ero­sivos nas encostas, o que evi­ta o assore­a­men­to dos rios”, afir­mou Aline.

Na época do desco­bri­men­to do Brasil, a Mata Atlân­ti­ca era con­tínua como a Flo­res­ta Amazôni­ca e con­sid­er­a­da a segun­da maior flo­res­ta trop­i­cal do Brasil com uma área equiv­a­lente a 1.315.460 km². Hoje, no entan­to, restam ape­nas 7,3% da cober­tu­ra orig­i­nal, e a Mata Atlân­ti­ca é con­sid­er­a­da a quin­ta área mais ameaça­da do plan­e­ta.

Edição: Lílian Beral­do

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