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Edital concede bolsa e recursos para pesquisadores negros e indígenas

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Candidatos selecionados receberão uma bolsa mensal de R$ 8 mil


Pub­li­ca­do em 17/12/2022 — 07:44 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Emb­o­ra 57% da pop­u­lação brasileira se clas­si­fiquem como pre­tos, par­dos e indí­ge­nas, de acor­do com dados do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE), essa parcela da pop­u­lação ain­da é sub-rep­re­sen­ta­da nas insti­tu­ições acadêmi­cas. Pen­san­do em reduzir essa lacu­na, o Insti­tu­to Ser­rapil­heira e a Fun­dação Car­los Cha­gas Fil­ho de Amparo à Pesquisa do Esta­do do Rio de Janeiro (Faperj) decidi­ram, em uma parce­ria inédi­ta, faz­er uma chama­da exclu­si­va para cien­tis­tas negros e indí­ge­nas que sejam pós doutores mas que ain­da não ten­ham nen­hum vín­cu­lo como pro­fes­sores.

“A gente quer ajudá-los naque­le momen­to em que eles já são pós doutores, mas não têm ain­da essa posição for­mal, difer­ente do que acon­tece nas nos­sas out­ras chamadas. Na ver­dade, o que a gente quer é com­bi­nar vários aspec­tos impor­tantes para a ciên­cia. Esper­amos que as per­gun­tas vin­das de pesquisadores negros e indí­ge­nas sejam per­gun­tas novas no grupo onde esse pesquisador vai ser rece­bido. Esta­mos queren­do traz­er sangue novo para gru­pos de pesquisa do Rio de Janeiro, na área de ecolo­gia, per­gun­tas vin­das desse grupo his­tori­ca­mente excluí­do na área cien­tí­fi­ca. A gente está muito ani­ma­do”, disse à Agên­cia Brasil a dire­to­ra de Ciên­cia do Ser­rapil­heira, Cristi­na Cal­das.

Investimento

A área escol­hi­da foi a ecolo­gia, cujos prob­le­mas são abor­da­dos por difer­entes dis­ci­plinas, como matemáti­ca e físi­ca, e não só a biolo­gia, desta­cou. O edi­tal dis­tribuirá bol­sas para os pesquisadores, mas tam­bém recur­sos para eles desen­volverem seus pro­je­tos e faz­erem ciên­cia. “A gente está dan­do bol­sa e din­heiro. Isso é ino­vador”, sub­lin­hou Cristi­na Cal­das.

Entre paga­men­to de bol­sas e recur­sos para as pesquisas, para desen­volvi­men­to na área da ecolo­gia, o edi­tal englo­ba um total de R$ 10,2 mil­hões. Poderão con­cor­rer às oito vagas cien­tis­tas negros e indí­ge­nas de todas as partes do Brasil e tam­bém do mun­do, incluin­do brasileiros e estrangeiros. Como a chama­da é cofi­nan­cia­da pela Faperj, as pesquisas terão que ser desen­volvi­das no esta­do do Rio de Janeiro. “A gente está falan­do de cir­cu­lação, de ren­o­vação de ideias”.

O edi­tal com­ple­to será con­heci­do em janeiro próx­i­mo e as inscrições começarão em 21 de março, com encer­ra­men­to pre­vis­to no dia 24 de abril de 2023. O proces­so sele­ti­vo ter­mi­nará em novem­bro, com a seleção dos oito pesquisadores por cien­tis­tas que atu­am em insti­tu­ições inter­na­cionais de excelên­cia. A divul­gação da chama­da ago­ra visa dar tem­po para que os pesquisadores pos­sam ir se preparan­do, esclare­ceu Cristi­na. Os cien­tis­tas terão três anos para desen­volverem as pesquisas, ren­ováveis por mais dois anos.

Diversidade

“Nos­so obje­ti­vo, no final das con­tas, é que essas pes­soas depois con­sigam posições for­mais em insti­tu­ições de pesquisa no Brasil. A gente está estim­u­lan­do a diver­si­dade na ciên­cia, em últi­ma análise, porque a gente quer ver mais pes­soas negras e indí­ge­nas em posições de lid­er­ança na ciên­cia. Esta­mos aju­dan­do nesse perío­do, com todo esse olhar espe­cial às per­gun­tas que eles estão trazen­do tam­bém, mas com o obje­ti­vo final de que ten­ham cada vez mais rep­re­sen­ta­tivi­dade em insti­tu­ições de pesquisa no país”, ressaltou a dire­to­ra do Ser­rapil­heira.

O foco do edi­tal são jovens cien­tis­tas que ten­ham con­cluí­do o doutora­do em qual­quer área do con­hec­i­men­to cien­tí­fi­co entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezem­bro de 2022. Os can­didatos não devem ter nen­hum tipo de vín­cu­lo empre­gatí­cio com insti­tu­ições de ciên­cia e tec­nolo­gia (ICTs). Os inter­es­sa­dos devem indicar o grupo de pesquisa que vão inte­grar. Esse grupo deve ser for­ma­do por out­ros cien­tis­tas e atu­ar no Rio de Janeiro.

Os oito can­didatos sele­ciona­dos rece­berão uma bol­sa men­sal de R$ 8 mil, além de até R$ 700 mil para o finan­cia­men­to da pesquisa durante três anos, ren­ováveis por mais dois anos. Serão ain­da disponi­bi­liza­dos mais R$ 100 mil especi­fi­ca­mente para inte­gração e for­mação de pes­soas de gru­pos sub-rep­re­sen­ta­dos nas equipes de pesquisa.

Para o dire­tor-pres­i­dente do Ser­rapil­heira, Hugo Aguila­niu, a ecolo­gia trop­i­cal deve ser um dos eixos estratégi­cos a guiar os inves­ti­men­tos em ciên­cia no país. “Pre­cisamos desen­volver o poten­cial enorme de lid­er­ança do Brasil em com­bat­er a crise climáti­ca e a dev­as­tação de bio­mas, tor­nan­do o país um ‘hub’ glob­al de cien­tis­tas do cli­ma e da bio­di­ver­si­dade”, afir­mou.

Já o pres­i­dente da Faperj, Jer­son Lima Sil­va, acen­tu­ou que, ao fomen­tar a pesquisa em um cam­po como a ecolo­gia, “esta­mos cumprindo nos­so papel para as futuras ger­ações. E quan­do dire­cionamos este edi­tal para jovens tal­en­tosos negros e indí­ge­nas, acred­i­ta­mos que esta­mos res­gatan­do nos­sas dívi­das com o pas­sa­do. Esper­amos que os resul­ta­dos sejam sur­preen­dentes, alian­do gru­pos diver­sos e trazen­do con­tribuições cria­ti­vas”, man­i­festou Sil­va.

Edição: Vale­ria Aguiar

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