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Coronel da PM diz que Exército dificultou prisão de golpistas

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Ex-comandante classificou acampamento como epicentro dos ataques


Pub­li­ca­do em 16/03/2023 — 19:37 Por Car­oli­na Pimentel — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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O coro­nel Jorge Eduar­do Naime, ex-coman­dante de Oper­ações da Polí­cia Mil­i­tar do Dis­tri­to Fed­er­al, disse nes­ta quin­ta-feira (16) que o Exérci­to ten­tou impedir a prisão dos golpis­tas envolvi­dos nos ataques aos pré­dios dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro.

Naime deu a declar­ação à Comis­são Par­la­men­tar de Inves­ti­gação (CPI) dos Atos Anti­democráti­cos da Câmara Leg­isla­ti­va do Dis­tri­to Fed­er­al. O coro­nel está pre­so des­de fevereiro acu­sa­do de omis­são em relação aos atos de 8 de janeiro.

Em depoi­men­to, Naime disse que a Polí­cia Mil­i­tar foi impe­di­da de pren­der sus­peitos de par­tic­i­parem dos ataques e que estavam no acam­pa­men­to local­iza­do em frente ao Quar­tel-Gen­er­al do Exérci­to. Segun­do o ex-coman­dante, mil­itares do Exérci­to mon­taram uma bar­reira.

“Uma lin­ha de choque mon­ta­da com blinda­dos e, por inter­es­sante que pare­cesse, eles não estavam volta­dos para o acam­pa­men­to. Eles estavam volta­dos para a PM, pro­te­gen­do o acam­pa­men­to”, afir­mou.

O coro­nel clas­si­fi­cou o acam­pa­men­to como “epi­cen­tro de todos os atos golpis­tas”. “O tenente que era o ofi­cial de dia no QG que­ria impedir que a gente pren­desse as pes­soas no gra­ma­do que fica ao lado da via N1. O argu­men­to foi que o local era uma área do Exérci­to e que a PM não pode­ria atu­ar”, afir­mou.

Retirada de acampamento

Naime tam­bém afir­mou que par­ticipou de diver­sas reuniões com o Coman­do do Exérci­to para a reti­ra­da do acam­pa­men­to, mas as ações eram sem­pre can­ce­ladas.

De acor­do com o ex-coman­dante, inves­ti­gações já havi­am rev­e­la­do várias irreg­u­lar­i­dades den­tro do acam­pa­men­to, como comér­cio ile­gal e aluguel irreg­u­lar de ten­das. Havia ain­da, segun­do o coro­nel, a “Máfia do Pix”, em que supostas lid­er­anças pedi­am às pes­soas que fizessem trans­fer­ên­cias via Pix para man­ter o fun­ciona­men­to do acam­pa­men­to.

Poucos policiais

O pres­i­dente da CPI, Chico Vig­i­lante (PT-DF), ques­tio­nou o ex-coman­dante sobre o número reduzi­do de poli­ci­ais mil­itares empre­ga­dos na con­tenção do ato golpista. De acor­do com Vig­i­lante, doc­u­men­tos obti­dos pela CPI apon­tam que somente 200 poli­ci­ais, alunos do cur­so de for­mação, foram aciona­dos, enquan­to o restante da tropa ficou de sob­reav­i­so.

Naime disse que não par­ticipou do plane­ja­men­to da oper­ação, pois esta­va de fol­ga na ocasião. Segun­do ele, é usu­al deslo­car alunos de for­mação para ações poli­ci­ais, porém acom­pan­hados de profis­sion­ais mais expe­ri­entes.

“Me causa estran­heza ter usa­do somente alunos. Pre­cisa faz­er uma revisão nes­sas escalas, ver se isso real­mente acon­te­ceu. Isso foge com­ple­ta­mente do nos­so padrão. Usar os alunos é nor­mal, mas sem­pre acom­pan­hado de poli­cial com exper­iên­cia”, disse.

Mundo paralelo

Em depoi­men­to, o ex-coman­dante disse que os golpis­tas do acam­pa­men­to vivi­am em um “mun­do para­le­lo”, com aces­so a infor­mações forneci­das ape­nas pelos gru­pos que estavam no local, em uma espé­cie de bol­ha.

“Eles vivi­am em um mun­do para­le­lo. Tive algu­mas vezes no acam­pa­men­to, con­ver­sei com algu­mas pes­soas. Teve um que me abor­dou lá e disse que era um extrater­restre, que esta­va ali infil­tra­do. Assim que o Exérci­to tomasse, os extrater­restres iri­am aju­dar a tomar o poder. Só con­sum­i­am infor­mações deles, estavam em uma bol­ha”, rela­tou.

Agên­cia Brasil entrou em con­ta­to com o Exérci­to e aguar­da um posi­ciona­men­to.

*Com infor­mações da Agên­cia da Câmara Leg­isla­ti­va do Dis­tri­to Fed­er­al

Edição: Aline Leal

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