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Atos no RJ e em SP protestam contra racismo e violência policial

Dia Internacional de Luta Contra Discriminação Racial é lembrado hoje

Rafael Car­doso e Guil­herme Jerony­mo — repórteres da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 21/03/2025 — 21:12
Rio de Janeiro e São Paulo
São Paulo (SP) 21/03/2025 - Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, a Frente Povo Negro Vivo, composta por mais de 100 organizações da sociedade civil, participa de ato público no Largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito da USP, no Centro de São Paulo. O evento tem como objetivo denunciar a violência policial e de Estado que atinge, de forma desproporcional, a população negra e periférica no Brasil, além de reivindicar o impeachment do governador Tarcísio de Freitas e do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Peque­na África, na região por­tuária do Rio de Janeiro, foi ocu­pa­da nes­ta sex­ta-feira (21) por ativis­tas, int­elec­tu­ais e gru­pos da luta antir­racista. Uma visi­ta guia­da pelos prin­ci­pais sím­bo­los da cul­tura afro-brasileira na cidade lem­brou de uma luta que tem raízes no pas­sa­do e ram­i­fi­cações no pre­sente.

Insti­tuí­do pela Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU), o Dia Inter­na­cional de Luta pela Elim­i­nação da Dis­crim­i­nação Racial é comem­o­ra­do todos os anos em 21 de março, em memória ao “Mas­sacre de Sharpeville”, na África do Sul, durante o regime do Apartheid. Em 1960, uma man­i­fes­tação pací­fi­ca con­tra a Lei do Passe, que dita­va onde pes­soas negras pode­ri­am cir­cu­lar, ter­mi­nou com a morte de 69 pes­soas e 186 feri­dos, víti­mas da vio­lên­cia poli­cial.

Em memória aos man­i­fes­tantes e para reforçar a luta con­tra o racis­mo, a cam­pan­ha no Brasil propõe ocu­par espaços urbanos para incen­ti­var a sociedade a refle­tir sobre o racis­mo e a lutar con­tra a opressão mil­i­tar e social con­tra as per­ife­rias. Além de enal­te­cer e val­orizar a história da cul­tura negra e africana no país.

No Brasil, a data mar­ca, des­de 2017, a cam­pan­ha “21 Dias de Ativis­mo con­tra o Racis­mo”. O foco é cri­ar e for­t­ale­cer ações enér­gi­cas de com­bate ao racis­mo e todas as for­mas de opressão.

No primeiro ano, foram con­tabi­lizadas 103 ativi­dades no Rio de Janeiro e em São Paulo. Este ano, são mais de 400 ativi­dades em difer­entes esta­dos, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e em out­ros país­es (Reino Unido, Gana, África do Sul e Zâm­bia).

“É impor­tante não con­fi­nar a dis­cussão racial ape­nas ao 20 de novem­bro, Dia da Con­sciên­cia Negra. Ela é uma data forte, mas pre­cisamos mar­car em vários momen­tos do ano a nos­sa história. E o 21 de março, em espe­cial, é um con­vite para os que dizem quer­er ter uma posição antir­racista exercitarem e con­hecerem mais dessa luta de sécu­los. É necessário ter ações de enfrenta­men­to ao racis­mo em difer­entes locais”, disse a psicólo­ga e orga­ni­zado­ra do even­to, Luciene da Sil­va Lac­er­da.

O even­to na Peque­na África começou no sítio arque­ológi­co do Cais do Val­on­goque se tornou o prin­ci­pal por­to de chega­da dos escrav­iza­dos às Améri­c­as entre 1811 e 1831. Esti­ma-se que um mil­hão de pes­soas ten­ham sido trazi­das à força da África para o local.

O fim do pas­seio guia­do acon­te­ceu no Largo de São Fran­cis­co da Prain­ha, que abrigou um mer­ca­do de escrav­iza­dos no sécu­lo 19.

“Revis­i­tar ess­es locais é pen­sar os lugares de memória e evi­den­ciar que há um esforço de anu­lação do pro­tag­o­nis­mo de out­ros que não sejam bran­cos. É recon­tar a história nar­ra­da ofi­cial pelo Esta­do brasileiro a par­tir de out­ras per­spec­ti­vas”, anal­isa a his­to­ri­ado­ra Raquel Mat­toso, que faz parte da coor­de­nação da cam­pan­ha. “Esse recur­so que a gente tem aqui, do pas­seio guia­do, aju­da no res­gate e na con­strução da nos­sa memória”.

A gaúcha Emi­ly Dor­nelles Ribeiro pesquisa quais políti­cas públi­cas foram apli­cadas no Cais do Val­on­go depois do recon­hec­i­men­to como patrimônio mundi­al, pela Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para a Edu­cação, a Ciên­cia e a Cul­tura (Unesco), em 2017. Ela par­ticipou do pas­seio na Peque­na África e reforçou que é pre­ciso ampli­ar o con­hec­i­men­to sobre o lega­do afro-brasileiro se quis­er­mos avançar na direção de uma sociedade menos desigual.

“São sécu­los de um apaga­men­to históri­co. E ain­da hoje tem mui­ta gente no Brasil que não sabe que existe o Cais do Val­on­go e o que ele rep­re­sen­ta. Saber a nos­sa história, saber como se deu todo o proces­so de inserção e exclusão dos povos africanos, é essen­cial para a nos­sa luta antir­racista”, disse Emi­ly Ribeiro.

São Paulo

Na cap­i­tal paulista, o ato (foto) reuniu cer­ca de 200 pes­soas que protes­taram con­tra a vio­lên­cia poli­cial. Orga­ni­za­da pela Frente Povo Negro Vivo, que rep­re­sen­ta mais de 100 enti­dades, a man­i­fes­tação pas­sou pela Assem­bleia Leg­isla­ti­va de São Paulo (Ale­sp), a Fac­ul­dade de Dire­ito da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP) e encer­rou em frente à Sec­re­taria Estad­ual de Segu­rança Públi­ca. Os man­i­fes­tantes protes­taram con­tra o gov­er­nador Tar­cí­sio de Fre­itas e o secretário de Segu­rança Públi­ca, Guil­herme Der­rite, com pro­to­co­lo de pedi­dos de impeach­ment na assem­bleia.

Para o pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do ABC, Rama­tis Jaci­no, o ato mostra a união dos gru­pos e lev­an­ta a neces­si­dade de se dis­cu­tir a vio­lên­cia con­tra a pop­u­lação negra, espe­cial­mente as ações da polí­cia que “agri­dem e matam os moradores das per­ife­rias”.

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