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Tecnologia torna monitoramento de terras indígenas mais preciso

Repro­dução: © CI-Brasil/­Di­vul­gação

Defesa do território é uma das demandas no Dia dos Povos Indígenas


Pub­li­ca­do em 19/04/2023 — 07:10 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Um sis­tema de mon­i­tora­men­to e gestão ter­ri­to­r­i­al tem real­iza­do o mapea­men­to da pro­dução agroex­tra­tivista dos povos que vivem nas Ter­ras Indí­ge­nas do Rio Gregório e Kam­pa do Rio Amô­nia, no Acre. Por meio de um aplica­ti­vo para celu­lar, a fer­ra­men­ta tam­bém faz o lev­an­ta­men­to de dados demográ­fi­cos e da bio­di­ver­si­dade local, além de aler­tar sobre mudanças no uso do solo.

O Sis­tema de Mon­i­tora­men­to e Gestão Ter­ri­to­r­i­al foi desen­volvi­do em parce­ria com a orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal Con­ser­vação Inter­na­cional (CI-Brasil) e os povos Yawanawá e Ashanin­ka. A fer­ra­men­ta começou a ser tes­ta­da em jun­ho de 2022 e, até o momen­to, mais de 274,6 mil hectares de ter­ras já con­tam com pro­teção ampli­a­da, ben­e­fi­cian­do dire­ta e indi­re­ta­mente quase 2,5 mil pes­soas.

A ino­vação trazi­da pela tec­nolo­gia é um difer­en­cial para aler­tar os indí­ge­nas em casos de ameaça de incên­dio, de des­mata­men­to, invasão. A fer­ra­men­ta serve ain­da para reg­is­trar onde estão fazen­do um roça­do de agri­cul­tura ou em que região estão caçan­do, para poderem iden­ti­ficar onde tem redução de deter­mi­na­da espé­cie e decidi­rem caçar em out­ro lugar. Alguns povos estão fazen­do lev­an­ta­men­to demográ­fi­co em aldeias.

Os aler­tas emi­ti­dos podem ser envi­a­dos para autori­dades como Min­istério Públi­co Fed­er­al, polí­cias estad­ual e fed­er­al, Fun­dação Nacional dos Povos Indí­ge­nas (Funai) e min­istérios dos Povos Indí­ge­nas e do Meio Ambi­ente e Mudança Climáti­ca.

Segurança

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o cacique Tash­ka Yawanawá, afir­mou que o aplica­ti­vo tornou o mon­i­tora­men­to da ter­ra mais fácil e seguro.

“A gente fazia o mon­i­tora­men­to man­u­al, subindo os rios, os cam­in­hos das lim­i­tações do ter­ritório e, ago­ra, usan­do os drones e o aplica­ti­vo, fica mel­hor porque a gente con­segue guardar ess­es dados. E ess­es dados ficam disponíveis para quan­do a gente pre­cisa faz­er denún­cia de invasão. A gente sabe exata­mente em que pon­to do GPS ess­es inci­dentes estão acon­te­cen­do. O uso da tec­nolo­gia mel­ho­ra a qual­i­dade final do tra­bal­ho. Para nós, a tec­nolo­gia tem sido muito pos­i­ti­va, com certeza. Facil­i­tou o nos­so tra­bal­ho.”

O Ashanin­ka Jhon Velas­co desta­cou que o mon­i­tora­men­to ter­ri­to­r­i­al de seu povo era feito sem o uso de tec­nolo­gias.

“Com esta ini­cia­ti­va, nos­sas mon­i­toras estão nos ensi­nan­do a mex­er com o aplica­ti­vo e o GPS. Isso é um pas­so muito impor­tante que nós, Ashanin­ka de Marechal Thau­matur­go, esta­mos dan­do. Esta­mos ten­tan­do nos apri­morar e apren­der cada vez mais com essa tec­nolo­gia que facili­ta o nos­so tra­bal­ho de mon­i­tora­men­to. E esse aplica­ti­vo é volta­do tam­bém para os nos­sos tra­bal­hos comu­nitários, de mapea­men­to de infraestru­tu­ra e delim­i­tação de roça­dos.”

Ferramenta

TECNOLOGIA-INDÍGENAS - Indígenas do Acre fazem treinamento com tecnologias. Foto: CI-Brasil/Divulgação
Repro­dução: Foto: CI-Brasil/­Di­vul­gação

De acor­do com o vice-pres­i­dente da CI-Brasil, Mauri­cio Bian­co, o mon­i­tora­men­to de ter­ras é uma grande deman­da dos povos indí­ge­nas do Brasil. “O nos­so obje­ti­vo é jun­tar dois tipos de con­hec­i­men­to: téc­ni­co-cien­tí­fi­co e o tradi­cional dess­es povos”, disse à Agên­cia Brasil. Segun­do Bian­co, o mon­i­tora­men­to é feito com drones e os dados são lança­dos em um ban­co de dados por meio de aplica­ti­vo, o que tor­na o tra­bal­ho mais seguro.

Para facil­i­tar a com­preen­são dos usuários, o aplica­ti­vo usa sím­bo­los e ter­mos da lín­gua dos povos indí­ge­nas. “E não pre­cisa nec­es­sari­a­mente ter inter­net, porque o aplica­ti­vo fun­ciona online. Depois, quan­do con­seguem usar a inter­net, podem baixar os dados. Eles con­seguem ter infor­mações muito mais pre­cisas, basi­ca­mente em tem­po real”, expli­cou.

Na con­strução do aplica­ti­vo foram usa­dos ícones e sím­bo­los que rep­re­sen­tam difer­entes questões para cada povo indí­ge­na. O desen­ho do ícone, seja em for­ma­to de ani­mais, roça­do, invasão por incên­dio, é deter­mi­na­do pelos próprios indí­ge­nas, de acor­do com a neces­si­dade dos usuários.

“Cada povo (Yawanawá e Ashanin­ka) teve sím­bo­los do ícone de acor­do com o que enten­dem. Se eles não enten­derem, não adi­anta nada a gente faz­er uma coisa padroniza­da”, disse Bian­co. Segun­do ele, tra­ta-se de povos que não desen­volver­am a escri­ta, o que jus­ti­fi­ca a importân­cia dos ícones.

Mauri­cio Bian­co salien­tou que os dados cole­ta­dos ficam sob a respon­s­abil­i­dade dos próprios povos indí­ge­nas. “Isso é impor­tante porque, even­tual­mente, algu­mas pes­soas cole­tam infor­mações que guardam em ban­co de dados aos quais os indí­ge­nas, que são os respon­sáveis e os prin­ci­pais inter­es­sa­dos em ter essas infor­mações, não têm aces­so”, afir­mou.

São os povos indí­ge­nas que definem pode ter aces­so ao aplica­ti­vo, porque há infor­mações que pref­er­em guardar para si. O sis­tema é com­ple­men­ta­do com infor­mações disponi­bi­lizadas por satélites e órgãos como o Insti­tu­to Nacional de Pesquisas Espa­ci­ais (Inpe).

Segun­do o pres­i­dente da CI-Brasil, a per­spec­ti­va é ampli­ar o aces­so à fer­ra­men­ta para out­ros povos indí­ge­nas. Entre eles, estão os Kayapós, da região do Xin­gu, com os quais a Con­ser­vação Inter­na­cional já tem atu­a­do.

Demarcação

A Ter­ra Indí­ge­na Rio Gregório foi demar­ca­da em 1983 e homolo­ga­da em 1991, com lim­ites revis­tos em 2007. Com 187.400 hectares, está local­iza­da no municí­pio de Tarauacá, no Acre.

Já a Ter­ra Indí­ge­na Kam­pa do Rio Amô­nia foi demar­ca­da e homolo­ga­da em 1992, tem 87.205 hectares, sendo local­iza­da no municí­pio de Marechal Thau­matur­go, tam­bém no Acre, na fron­teira com o Peru.

Edição: Heloisa Cristal­do

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