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Chacina e resistência: relembre fatos históricos da realidade yanomami

Repro­dução: © Twit­ter Força Aérea Brasil­ia

Impacto do garimpo nas comunidades é denunciado há décadas


Pub­li­ca­do em 01/02/2023 — 08:07 Por Lety­cia Bond — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Na Ter­ra Indí­ge­na (TI) Yanoma­mi, de 9,6 mil­hões  de hectares, a for­ma como o garim­po impacta as comu­nidades é denun­ci­a­da há décadas, tan­to por lid­er­anças quan­to por veícu­los do jor­nal­is­mo inde­pen­dente e local. Os yanoma­mi são um povo que con­stan­te­mente remem­o­ra um dos even­tos mais mar­cantes e extremos de vio­lação de dire­itos, con­heci­do como Mas­sacre de Hax­imu. Esse foi o primeiro caso recon­heci­do pela Justiça brasileira como um crime de genocí­dio.

A chaci­na ocor­reu em agos­to de 1993. O con­fli­to começou quan­do garimpeiros ile­gais do Alto Orinoco des­cumpri­ram um acor­do feito com os yanoma­mi que vivi­am em uma região mon­tan­hosa de fron­teira entre o Brasil e a Venezuela. No dia 15 de jun­ho, sete garimpeiros con­vi­daram seis indí­ge­nas para caçar e exe­cu­taram qua­tro deles durante o per­cur­so.

Em retal­i­ação, os yanoma­mi assas­si­naram um dos garimpeiros. Pouco mais de um mês se pas­sou e, no dia 23 de jul­ho, um grupo de garimpeiros inva­diu a aldeia, onde estavam alguns yanoma­mi – a maio­r­ia, mul­heres e cri­anças –, e mataram a tiros e golpes de facão 12 yanoma­mi. As víti­mas foram um homem, uma mul­her, três ado­les­centes, duas idosas, qua­tro cri­anças e um bebê.

Em 2022, com­ple­taram-se 30 anos da homolo­gação da TI, em meio a prob­le­mas ain­da sem solução defin­i­ti­va. Segun­do o Con­sel­ho Indi­genista Mis­sionário (Cimi), no mês de jun­ho, a comu­nidade de Xihopi fazia uma cel­e­bração para mar­car a data, mas tam­bém aproveita­va a ocasião para com­par­til­har relatos de episó­dios de vio­lên­cia cau­sa­dos, ain­da hoje, por garimpeiros. Ao todo, esti­ma-se que haja, atual­mente, cer­ca de 20 mil garimpeiros na TI.

Oito meses antes, em 13 de out­ubro de 2021, lid­er­anças da comu­nidade Macuxi Yano, região do Rio Pari­ma comu­ni­cavam à Hutukara Asso­ci­ação Yanoma­mi (HAY) o desa­parec­i­men­to de duas cri­anças, de 5 e 7 anos de idade, enquan­to brin­cavam na água, próx­i­mo a uma bal­sa de garim­po. Uma equipe do Cor­po de Bombeiros ini­ciou as bus­cas ime­di­ata­mente e, no mes­mo dia, encon­trou o cor­po do meni­no mais novo. No dia seguinte, a cor­po­ração local­i­zou a segun­da cri­ança, tam­bém sem vida.

Em abril de 2022, out­ra tragé­dia arrasa­va o povo yanoma­mi. O luto ago­ra se insta­la­va pela per­da de uma meni­na de 12 anos, estupra­da e mor­ta por garimpeiros, na comu­nidade de Ara­caçá, que fica na região Waiakás, esta­do de Roraima. A região é uma das mais impactadas pelo garim­po.

Malária e insegurança alimentar

No local, con­cor­rem com a fome, a malária e a con­t­a­m­i­nação pelo mer­cúrio. Como respos­ta, o Min­istério da Saúde declar­ou Emergên­cia em Saúde Públi­ca de Importân­cia Nacional (Espin) e instalou o Cen­tro de Oper­ações de Emergên­cias em Saúde Públi­ca (COE — Yanoma­mi).

As ameaças à segu­rança ali­men­tar, especi­fi­ca­mente, já estiver­am, inclu­sive, em out­ubro de 2019, no radar do Fun­do das Nações Unidas para a Infân­cia (Unicef), que aler­tou para a fome de cri­anças yanoma­mi. Na época, cal­cula­va-se que, entre a parcela aldea­da, oito em cada dez cri­anças menores de 5 anos pade­ci­am de desnu­trição crôni­ca, condição que pode com­pro­m­e­ter, de modo irre­ver­sív­el, o desen­volvi­men­to men­tal, motor e cog­ni­ti­vo ou mes­mo levar a óbito.

Des­de que vier­am à tona ima­gens de yanoma­mi desnu­tri­dos, debates tam­bém foram sus­ci­ta­dos, abor­dan­do, inclu­sive, a neces­si­dade de se seguir cer­to pro­to­co­lo de divul­gação, para se respeitar a memória das víti­mas da crise socioam­bi­en­tal que esfacela o ter­ritório.

Edição: Juliana Andrade

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