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Festival em Brasília celebra tradições de povos originários

Repro­dução: © Val­ter Campanato/Agência Brasil

Iniciativa terá danças, cantos e debates até sábado (29)


Pub­li­ca­do em 28/07/2023 — 07:30 Por Luiz Clau­dio Fer­reira, repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Na cap­i­tal do Brasil, a cel­e­bração de povos tradi­cionais gan­ha cores, luzes e sons difer­entes. Como o can­to das mul­heres indí­ge­nas do Alto Xin­gu, do Mato Grosso. Como o movi­men­to de Capoeira Ango­la, de Mestre Elma, do Maran­hão. Como a neces­si­dade de reflexões e debates sobre preser­vação cul­tur­al e vis­i­bil­i­dade para a cidada­nia de tan­tas cul­turas. A pro­gra­mação do “Fes­ti­val Agô — Músi­ca e Ances­tral­i­dade” e o “Sem­i­nário Feal­ha começou na quin­ta (27) e vai até sába­do (29), no Memo­r­i­al dos Povos Indí­ge­nas (MPI), no Eixo Mon­u­men­tal, em Brasília. O aces­so é gra­tu­ito.

Clique abaixo para con­ferir a pro­gra­mação

O even­to, que con­gre­ga artis­tas e lid­er­anças dos povos indí­ge­nas e comu­nidades negras, mescla difer­entes for­mas de val­orizar o con­hec­i­men­to dos povos tradi­cionais. Isso inclui a real­iza­ção de shows, ofic­i­nas, feira e mesas com a pre­sença de mestres e jovens que têm na músi­ca a conexão com o sagra­do.

O públi­co pode ser aces­so, por exem­p­lo, ao can­to da fes­ta rit­u­al Yamurikumã, real­iza­da pelas mul­heres indí­ge­nas per­ten­centes aos nove povos do Alto Xin­gu (MT). O Yamurikumã é um rit­u­al que se inte­gra à luta dessas mul­heres da região pela preser­vação da sua cul­tura. Nes­ta sex­ta, às 19h, será pos­sív­el con­ferir essa man­i­fes­tação cheia de sig­nifi­ca­dos.

Con­forme con­tex­tu­al­iza a dire­to­ra do fes­ti­val, Tâmara Jac­in­to, a músi­ca numa comu­nidade tradi­cional não é só can­ta­da, mas vivi­da de uma for­ma com­plexa. “A músi­ca vem com uma lín­gua e com uma dança. Car­rega a iden­ti­dade de cada povo, tratan­do-se de comu­nidades indí­ge­nas e afro-brasileiras. A músi­ca é o nos­so instru­men­to, o veícu­lo para poder chegar aos corações das pes­soas”, afir­ma.

Brasília, (DF) – 27-07-2023 – Festival Agô e Seminário Fealha dos Povos Indigenas, Canto e Dança com povo Fuini-ô e mulheres do Alto Xingu. Foto Valter Campanato/Agência Brasil.
Repro­dução: Brasília, (DF) – 27-07-2023 – Fes­ti­val Agô e Sem­i­nário Feal­ha dos Povos Indi­ge­nas, Can­to e Dança com povo Fuini‑ô e mul­heres do Alto Xin­gu — Val­ter Campanato/Agência Brasil

Nes­ta sex­ta, a pro­gra­mação musi­cal do fes­ti­val Agô (que sig­nifi­ca “licença”, em Yorubá) terá shows dos gru­pos Pon­to Br, Ori (com par­tic­i­pação da can­to­ra Cris Pereira), Mul­heres do Alto Xin­gu e povo Fulni‑ô. Está pre­vista ain­da uma noite de can­tos indí­ge­nas, cocos, ciran­das, mara­ca­tus, sam­bas, tam­bor de Mina, bois, rojões e carim­bós. “Nos­so com­pro­mis­so é mostrar esse con­jun­to com­plexo que a músi­ca car­rega”, diz a dire­to­ra do fes­ti­val.

Reflexões

Além das apre­sen­tações cul­tur­ais, o even­to abri­ga o Sem­i­nário Feal­ha (que sig­nifi­ca “ter­ra sagra­da” em Yaathe, idioma do povo Fulni‑ô), que traz mesas de debates em difer­entes horários.

A primeira dis­cussão, às 14h30, tem a medi­ação do antropól­o­go e coor­de­nador do sem­i­nário, Paíque San­tarém (UnB). “Pre­cisamos vis­i­bi­lizar a pre­sença indí­ge­na e negra no DF de for­ma a garan­tir políti­cas públi­cas”, con­sider­ou.

Na sequên­cia, out­ro debate abor­da a história de quem migrou ao DF e con­sti­tu­iu ter­ritórios sagra­dos, comu­nidades e san­tuários. Par­tic­i­pam San­tx­iê Ful­niô Gua­ja­jara (San­tuário dos Pajés), Cris­tiane Portela (Pro­je­to Out­ras Brasílias/UnB), Baba Aurélio Lopes (Ilê Odé Axé Opo Inlé), Ayola, Dudu Mano, Sin­ge­lo e Babi (Cole­ti­vo Mapa das Desigual­dades do DF).

O Dis­tri­to Fed­er­al tem cer­ca de seis mil indí­ge­nas, segun­do dados do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE). Dess­es, a maio­r­ia está em áreas urbanas. As três regiões admin­is­tra­ti­vas com maior pop­u­lação indí­ge­na são Ceilân­dia, Planalti­na e Samam­ba­ia. A úni­ca ter­ra indí­ge­na delim­i­ta­da no DF é a Ter­ra Indí­ge­na San­tuário Sagra­do dos Pajés — Pajé San­tx­ie Tapuya, no Setor Noroeste, área de forte espec­u­lação imo­bil­iária.

Serviço:

Fes­ti­val Agô — Músi­ca e Ances­tral­i­dade / Sem­i­nário Feal­ha — Pre­sença Indí­ge­na no DF

Ingres­sos para o show Fes­ti­val Agô (entra­da gra­tui­ta)

Inscrição para o sem­i­nário Feal­ha

Pro­gra­mação Ger­al — Fes­ti­val Agô + Feal­ha

Sex­ta — 28/07

14h30: Sem­i­nário Feal­ha: Ances­tral­i­dade cer­ratense
16h30: Sem­i­nário Feal­ha: Tra­jetórias, povos e ter­ritórios
19h: Roda aber­ta de Capoeira Ango­la com Mes­tra Elma (MA) e grupo nZam­bi
20h30: Ori (PE) part. Cris Pereira (DF)
21h30: Can­tos das Mul­heres do Alto Xin­gu (MT)
22h: Cafur­nas Fulni‑ô (PE/DF)
22h30: Pon­to BR (MA/PE/SP)

Sába­do — 29/07

10h às 12h: Ofic­i­na de Capoeira Ango­la com Mes­tra Elma (nZam­bi)
15h às 16h: Sem­i­nário Feal­ha: Histórias e con­quis­tas do Acam­pa­men­to Ter­ra Livre (ATL)

Edição: Marce­lo Brandão

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