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ONU: 931 milhões de toneladas de alimentos foram para o lixo em 2019

Conferência Green Rio 2015 discute estratégias para a economia verde e o setor de alimentos orgânicos no Jardim Botânico (Fernando Frazão/Agência Brasil)
© Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil (Repro­dução)

Montante representa 17% do total disponível aos consumidores


Pub­li­ca­do em 06/03/2021 — 14:02 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Cer­ca de 931 mil­hões de toneladas de ali­men­tos – 17% do total disponív­el aos con­sum­i­dores em 2019 – foram para o lixo de residên­cias, do comér­cio vare­jista, de restau­rantes e de out­ros serviços ali­menta­res, segun­do pesquisa da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU). O mon­tante equiv­ale a 23 mil­hões de cam­in­hões de 40 toneladas car­rega­dos, o que, segun­do a enti­dade, seria sufi­ciente para cir­cun­dar a Ter­ra sete vezes.

O Índice de Des­perdí­cio de Ali­men­tos 2021, do Pro­gra­ma das Nações Unidas para o Meio Ambi­ente (Pnu­ma) e da orga­ni­za­ção par­ceira WRAP, do Reino Unido, divul­ga­do esta sem­ana, anal­isa sobras ali­menta­res em pon­tos de ven­da, restau­rantes e residên­cias – con­sideran­do partes comestíveis e não comestíveis, como ossos e con­chas.

Foram obser­vadas, ao todo, 152 unidades em 54 país­es. De acor­do com o doc­u­men­to, o des­perdí­cio de ali­men­tos é um prob­le­ma glob­al e não ape­nas de país­es desen­volvi­dos. As per­das de ali­men­tos foram sub­stan­ci­ais em quase todas as nações onde o des­perdí­cio foi medi­do, inde­pen­den­te­mente do nív­el de ren­da.

A maior parte desse des­perdí­cio, segun­do o relatório, tem origem em residên­cias – 11% do total de ali­men­tos disponíveis para con­sumo são descar­ta­dos nos lares. Já os serviços ali­menta­res e os esta­b­elec­i­men­tos de vare­jo des­perdiçam 5% e 2%, respec­ti­va­mente.

Em ter­mos globais per capi­ta, 121 qui­los de ali­men­tos são des­perdiça­dos por con­sum­i­dor a cada ano. Desse total, 74 qui­los são descar­ta­dos no ambi­ente domés­ti­co. O des­perdí­cio tem impactos ambi­en­tais, soci­ais e econômi­cos sig­ni­fica­tivos, assi­nala o relatório. Entre 8% e 10% das emis­sões globais de gas­es de efeito est­u­fa, por exem­p­lo, estão asso­ci­adas a ali­men­tos não con­sum­i­dos, con­sideran­do as per­das em toda a cadeia ali­men­tar.

Mudança climática

A dire­to­ra-exec­u­ti­va do Pnu­ma, Inger Ander­sen, avalia que a redução do des­perdí­cio de ali­men­tos aju­daria a reduzir as emis­sões de gas­es de efeito est­u­fa, retar­daria a destru­ição da natureza, aumen­taria a disponi­bil­i­dade de comi­da e, assim, reduziria a fome, além de con­tribuir para econ­o­mizar din­heiro em um momen­to de recessão glob­al.

“Se quis­er­mos levar a sério o com­bate à mudança climáti­ca, à per­da da natureza e da bio­di­ver­si­dade, à poluição e ao des­perdí­cio, empre­sas, gov­er­nos e cidadãos de todo o mun­do devem faz­er a sua parte para reduzir o des­perdí­cio de ali­men­tos”, disse, ao destacar que a Cúpu­la de Sis­temas Ali­menta­res da ONU deste ano será uma opor­tu­nidade de lançar “novas e ousadas” ações para enfrentar o des­perdí­cio ali­men­tar.

Segun­do a ONU, o total de 690 mil­hões de pes­soas afe­tadas pela fome ao lon­go de 2019 dev­erá crescer de maneira acen­tu­a­da por con­ta da pan­demia de covid-19. Além dessa parcela da pop­u­lação glob­al, exis­tem tam­bém, de acor­do com a enti­dade, 3 bil­hões de pes­soas inca­pazes de custear uma dieta saudáv­el.

Uma das sug­estões apon­tadas no relatório é que os país­es inclu­am o des­perdí­cio de ali­men­tos nas Con­tribuições Nacional­mente Deter­mi­nadas (NDCs, na sigla em inglês) no âmbito do Acor­do de Paris, enquan­to for­t­ale­cem a segu­rança ali­men­tar e reduzem os cus­tos para as famílias. O doc­u­men­to tam­bém defende a pre­venção do des­perdí­cio de ali­men­tos como uma área primária a ser incluí­da nas estraté­gias de recu­per­ação da covid-19.

Cer­ca de 14 país­es já pos­suem dados sobre o des­perdí­cio domés­ti­co de ali­men­tos cole­ta­dos de for­ma com­patív­el com o índice do Pnu­ma. Out­ros 38 país­es têm dados sobre des­perdí­cio domés­ti­co que, com peque­nas mudanças na metodolo­gia, cober­tu­ra geográ­fi­ca ou taman­ho da amostra, per­mi­tiri­am a cri­ação de uma esti­ma­ti­va com­patív­el

Edição: Paula Labois­sière

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