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Queijo de búfala é atração gastronômica de Marajó

Repro­du­ção: © TV Brasil/Divulgação

A equipe do Caminhos da Reportagem foi descobrir os encantos da ilha


Publi­ca­do em 13/11/2022 — 11:47 Por Flá­via Gros­si — Bra­sí­lia

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A Ilha de Mara­jó, cer­ca­da pelas águas do Oce­a­no Atlân­ti­co e do Rio Ama­zo­nas, guar­da um uni­ver­so de len­das, tra­di­ções, cos­tu­mes e igua­ri­as pró­pri­os. Um des­ses tesou­ros é o quei­jo do Mara­jó, fei­to de lei­te de búfa­la e reco­nhe­ci­do por sua sua­vi­da­de.

A equi­pe do Cami­nhos da Repor­ta­gem foi até essa região do Pará des­co­brir seus encan­tos, a for­ma de fazer o quei­jo e a his­tó­ria por trás do pro­du­to, que ganhou em 2021 o selo de Indi­ca­ção Geo­grá­fi­ca (IG) do Ins­ti­tu­to Naci­o­nal da Pro­pri­e­da­de Indus­tri­al (INPI).

Dois tipos de quei­jo são pro­du­zi­dos na ilha: o quei­jo man­tei­ga e o cre­me. A prin­ci­pal dife­ren­ça entre eles é o uso da man­tei­ga de gar­ra­fa na recei­ta. “quei­jo cre­me é menos gor­du­ro­so, tem uma cre­mo­si­da­de a mais”, afir­ma Edu­ar­do Por­tal, geren­te da Latí­ci­ni­os Por­tal, defen­den­do o pro­du­to que fabri­ca. Há pou­co mais de um ano no mer­ca­do, a quei­ja­ria ven­de para muni­cí­pi­os do Pará e de São Pau­lo. Edu­ar­do con­ta que a cer­ti­fi­ca­ção trou­xe visi­bi­li­da­de e a con­quis­ta de novos mer­ca­dos, para além de Sou­re, no Mara­jó: “É mui­to gra­ti­fi­can­te ver que um sonho está se tor­nan­do rea­li­da­de”. A influên­cia do selo nas ven­das está tam­bém liga­da à ori­gi­na­li­da­de do quei­jo. Rubens Mag­no, supe­rin­ten­den­te do Sebrae no Pará, expli­ca que a IG chan­ce­la que, em ape­nas uma região, pode-se fazer o pro­du­to de uma deter­mi­na­da manei­ra: “É um reco­nhe­ci­men­to que con­fir­ma a ances­tra­li­da­de”, subli­nha.

Pru­dên­cio Pai­xão, pro­pri­e­tá­rio da Quei­ja­ria do Pru­dên­cio, pro­duz o quei­jo man­tei­ga há 25 anos, da for­ma como apren­deu com seus ante­pas­sa­dos. “Meu dia come­ça às três da manhã tra­ba­lhan­do já na quei­ja­ria. Por vol­ta de seis e meia, a gen­te vai ao cur­ral cole­tar o lei­te e, às sete horas, eu já estou com a pri­mei­ra for­na­da de quei­jo no fogo”, con­ta. Com o quei­jo do Mara­jó, o empre­en­de­dor Fran­cis­co Moya faz um pão de quei­jo meta­de minei­ro, meta­de mara­jo­a­ra; a chef Jerô­ni­ma Bar­bo­sa cozi­nha no res­tau­ran­te Bacu­ri o filé mara­jo­a­ra e outros pra­tos típi­cos da gas­tro­no­mia local; e Joni­el Nas­ci­men­to ganhou as redes com seu sor­ve­te Ice Buf­fa­lo, que tem o búfa­lo Ale­mão como garo­to-pro­pa­gan­da e apre­ci­a­dor.

Símbolo

No mai­or arqui­pé­la­go flu­vi­o­ma­ri­nho do mun­do, os búfa­los se tor­na­ram um sím­bo­lo e uma gran­de atra­ção da ilha. O reba­nho supe­ra o de bois e o núme­ro de cabe­ças cor­res­pon­de a 38% do total naci­o­nal, segun­do o IBGE. Eles estão nas fazen­das, nas ruas, na mon­ta­ria da polí­cia mara­jo­a­ra, no arte­sa­na­to e em pas­sei­os turís­ti­cos. Na Fazen­da São Jerô­ni­mo, que con­ta com 400 hec­ta­res e dife­ren­tes bio­mas, um dos pas­sei­os mais con­cor­ri­dos leva os turis­tas a nada­rem com o ani­mal. “Que­ria mos­trar um pou­qui­nho do Mara­jó. Como? Iga­ra­pés, prai­as, man­gue e cam­pi­na”, con­ta Rai­mun­do Bri­to, pro­pri­e­tá­rio da fazen­da.

Os búfa­los foram intro­du­zi­dos no Mara­jó no fim do sécu­lo XIX e se adap­ta­ram ao cli­ma quen­te e úmi­do da região. Hoje, movi­men­tam a eco­no­mia da ilha e, para Ton­ga Gou­vêa, agrô­no­mo e pro­du­tor de quei­jo, tive­ram a capa­ci­da­de de fixar o homem ao cam­po: “Ele tem a qua­li­da­de de pro­du­zir pro­teí­na bara­ta e de adap­ta­ção; é uma espé­cie espe­ta­cu­lar”, acre­di­ta. Ao lado da filha Gabri­e­la Gou­vêa, pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção de Pro­du­to­res de Lei­te e Quei­jo do Mara­jó, ele admi­nis­tra a Fazen­da Miron­ga, onde os turis­tas expe­ri­men­tam a cha­ma­da “vivên­cia”, em que conhe­cem a his­tó­ria da famí­lia, dos búfa­los, dos quei­jos e expe­ri­men­tam o que a fazen­da pro­duz. “O Mara­jó vai além do ter­ri­tó­rio. O Mara­jó é sen­ti­men­to. Você pre­ci­sa se per­mi­tir viver ouvin­do os sons que nós temos aqui, sen­tin­do o búfa­lo, comen­do as coi­sas do búfa­lo. Não tem como eu dizer o que é isso aqui, a não ser que você venha viver”, diz Gabri­e­la.

O epi­só­dio Uma fatia de Mara­jó, do Cami­nhos da Repor­ta­gem, vai ao ar hoje, às 22h, na TV Bra­sil.

Edi­ção: Rena­ta Cabral

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